Luís Testa foi uma das novidades na elaboração do novo Secretariado Nacional do PS, o órgão de maior proximidade a José Luís Carneiro. O deputado tem largos anos de experiência, pois foi mandatado, por sete vezes, em dois períodos diferentes, para líder da federação distrital de Portalegre, mas tinha uma proximidade a Pedro Nuno Santos que nunca escondeu. Passar a integrar o órgão como secretário nacional adjunto tem uma leitura política, já que neste se encontram os militantes com maior afinidade com o líder. “O secretário-geral terá percebido que eu não teria ambição para ser candidato novamente em Portalegre e viu que da minha parte há uma ambição em ajudar o partido, e que tenho responsabilidade grande nas políticas territoriais [no Alentejo] por ser o único deputado do PS no círculo eleitoral de Portalegre. Há, da minha parte, total compromisso com José Luís Carneiro”, começa por dizer ao DN, perspetivando ter funções executivas no órgão. Presente nas comissões de Mobilidade, Infraestruturas e Habitação e também como suplente no Ambiente e Energia, é previsível que o aconselhamento seja também dado nessas áreas.Depois de Portalegre, tal como Aveiro e Porto, terem sido grandes bastiões de apoio de Pedro Nuno Santos, Luís Testa reconhece que se foi aproximando da forma como Carneiro tem conduzido o PS. “As relações internas do partido são sempre determinadas pela circunstância, todos fazemos evoluções ao longo do tempo. Tenho vindo a aproximar-me do secretário-geral, tal como o José Luís tem feito esse processo. Há uma afinação política e sempre reconheci que José Luís Carneiro é agregador, que percebe políticas que não partilhava de início e que tenta mobilizar para a unidade que o partido deve ter”, elogia, afirmando categoricamente: “Não fui apoiante de primeira hora, estive com Pedro Nuno Santos, como se sabe, mas José Luís Carneiro não tem ponta de sectarismo.” Para Testa, a sua inclusão no Secretariado Nacional “é marca da liderança”, porque “Carneiro já integrou outras pessoas da órbita do antigo secretário-geral.” Para o jurista, é natural que tenha havido um lote de grande apoio a Pedro Nuno Santos na transição pós-Costa, e do qual ele fez parte. “Conhecemo-nos há 30 anos, há pessoas que nos marcam, que fazem um percurso político comum… mas o PS é um partido muito grande e, para seu benefício, é normal que abrigue pensamentos diferenciados. Separo aquilo que são as relações pessoais do debate interno que devemos fazer”, salienta. Quando às declarações recentes de Pedro Nuno no regresso à atividade parlamentar, classificando, sem identificar, outros militantes como “taticistas”, entende que “as ondas de choque são normais”, mas categorizou como “disrupção pequena o regresso de um ex-líder ao Parlamento”, até porque, diz, a transição já foi feita, uma vez que “a direção do grupo parlamentar já é constituída por pessoas mais próximas do atual secretário-geral.” As atribuições de Luís Testa no Secretariado Nacional ficarão conhecidas, à partida, esta terça-feira, pois este órgão do PS passará a reunir semanalmente no dia também da reunião de António José Seguro com Luís Montenegro. Neste círculo próximo de Carneiro continuam Filipe Santos Costa, André Moz Caldas, Jamila Madeira, João Torres, Marcos Perestrello e Maria Antónia Almeida Santos, estes dois últimos, previsivelmente, com Defesa e Saúde a cargo.Haverá, pelo que o DN apurou, um destaque aos direitos laborais, contribuições para a Segurança Social e política de emprego em 2026, áreas em que Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho, e Miguel Cabrita, ex-secretário de Estado, terão papel crucial.Na regionalização e componente autárquica, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, João Azevedo, vencedor em Viseu, e Inês de Medeiros, no terceiro e último mandato em Almada, serão vozes influentes para Carneiro. O círculo do Secretariado Nacional é hoje de maior proximidade ao secretário-geral. Para isso, a afinação, com mais de 90% de aprovação no partido, teve o desvio de Sérgio Sousa Pinto, Francisco Assis e Ana Catarina Mendes para a Comissão Política, onde estão Alexandra Leitão, Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva e Marta Temido, entre outros. O órgão para o qual o ex-ministro do Ambiente Duarte Cordeiro declinou convite, de forma a ficar com “liberdade para discordar”. .Medina e Centeno entre os “taticistas” criticados por Pedro Nuno Santos.Duarte Cordeiro: “Ao ficar de fora fico menos comprometido com a atual liderança e com as suas decisões”.Duarte Cordeiro desvaloriza possível ataque de Pedro Nuno: "Falha o alvo e não acrescenta aos portugueses"