"Construbarcelos recebeu algo em troca pelo atrelado? Não tínhamos lugar para condicionar esse material. Marinha ofereceu-se para acolher o material, mas num determinado momento disse que não podia continuar com o material. Diretor financeiro da PJ estava a fiscalizar uma obra com o empreiteiro [João Carvalho] e comentou que tinha mais um problema para resolver. Passado uns dias, o diretor levantou essa questão [do atrelado ficar no armazém do empreiteiro] e validei. Não houve qualquer contrapartida", afirmou Luís Neves na resposta à pergunta de uma jornalista.."Explicações a Entidade da Transparência? Nunca fomos notificados pelo Tribunal Constitucional para apresentar qualquer declaração de rendimentos e património. Em maio de 2025 fomos contactados para apresentar essa declaração, que inclui a morada. Enquanto diretor nacional da PJ estive sob proteção após ter recebido ameaças. Nunca quis esconder qualquer património. Entreguei essa declaração em fevereiro de 2026. Ocultei a empresa da minha mulher, que já não tinha negócios, e essa informação está disponível em plataformas públicas. Essa empresa tinha como objetivo explorar alojamento local, o que ainda não chegámos a fazer numa das propriedades, após termos recibo licença", afirmou, frisando que, quando tomou posse, encontrou uma Polícia Judiciária "fragilizada", tendo-a recuperado e alavancado, segundo o próprio.Numa última parte da declaração, antes das perguntas dos jornalistas, reconhece que pode ter sido "mal interpretado", diz que tem uma única conta bancária e um único carro familiar, um Ford Focus, e que não admite que ponham a sua idoneidade em causa, garantindo que vai continuar a exercer o cargo de ministro da Administração Interna: "Continuarei a cumprir a minha missão."."Obras? Tenho vindo a adquirir paulatinamente os terrenos que foram divididos em heranças da família da minha mulher, tudo a preço de mercado, nunca a preço de saldo. Este monte tem umas ruínas com mais de 40 anos. O único rendimento é o do meu trabalho e o da minha mulher", afirmou o ministro, sobre a propriedade em São Teotónio, no concelho de Odemira."Desconhecia que essa propriedade se situava numa área reservada. Nunca mo foi comunicado. Se algo tiver de ser regularizado, sê-lo-á, com toda a tranquilidade", acrescentou, negando ter favorecido a empresa de João Carvalho, "uma pessoa que trabalha bem" e com quem tinha "confiança". "Não poupei nem ganhei um cêntimo", frisou, lembrando que o empreiteiro já tinha celebrado contratos com a Polícia Judiciária antes de ter tomado posse como diretor nacional da instituição. "A Construbarcelos nunca teve um papel relevante no total de empreitadas da PJ", aditou, salientando que contratos celebrados com a empresa representam apenas 8 por cento do total. "Não favoreci João Carvalho nem a sua empresa", reforçou.."Atrelado no armazém de empreiteiro da Construbarcelos? Associaram o meu nome ao tráfico de honra. Esta matéria está a ser investigada no âmbito de um inquérito que está a decorrer. Garanto que não foi desviado qualquer bem, não foi beneficiado com quem quer que fosse e não existe ligação ao tráfico de droga. Não havia outra opção. É uma decisão minha e não dele [empreiteiro]. Naquele momento, foi a decisão adequado e que hoje voltaria a tomar. Fui um puro ato de boa gestão. Pediram cerca de 150 mil euros pela destruição daquele material. Foi uma decisão que poupou ao Estado muito dinheiro e que nos permitiu ganhar tempo para tomar a melhor decisão", afirmou.."Nunca tive medo. Nunca me escondi e não era agora que o fazia. Nos últimos dias foram levantadas gravíssimas suspeitas sobre a minha honra e dignidade e forma como exerço funções públicas. Essas dúvidas exigem respostas. Darei todas as respostas", começou por dizer em conferência de imprensa..O ministro da Administração Interna, Luís Neves, dá uma conferência de imprensa na tarde desta quarta-feira, pelas 18h00.No últimos dias, o antigo diretor nacional da PJ referiu várias vezes que iria prestar todos os esclarecimentos sobre as polémicas em que tem estado envolvido.No último sábado, Luís Neves disse estar "absolutamente tranquilo" e prometeu explicar "no tempo próprio a questão" "ponto por ponto". Na semana passada já tinha dito o memso e garantido que se sentisse que não tinha condições para estar no cargo, já "não estava aqui a desempenhar o meu trabalho”..CPI do Chega a Luís Neves também visa governantes que o nomearam diretor nacional da PJ