O secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI) demissionário, António Pombeiro, contradiz a versão do ministro da Administração Interna sobre o seu primeiro pedido de demissão, justificado já então com irregularidades na SIRESP na gestão de Viegas Nunes.Num esclarecimento na segunda-feira sobre a demissão de António Pombeiro e a nomeação do major-general Paulo Viegas Nunes para o conselho de administração da SIRESP S.A, o gabinete de Luís Neves referia que o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI) pediu pela primeira vez a exoneração a 28 de abril, antes de ser conhecida a escolha de Viegas Nunes, tendo na altura “invocado motivos diferentes dos que estão agora em causa”.Uma troca de emails, a que a Lusa teve acesso, entre António Pombeiro e elementos do gabinete do ministro da Administração Interna, desmentem esta versão do ministro da Administração Interna.No email enviado a 28 de abril para o MAI, António Pombeiro, que pediu novamente a demissão a 22 de maio, solicita a sua exoneração e faz referências diretas a Viegas Nunes, nomeadamente de tentar aproximar o SIRESP da esfera das Forças Armadas, e dá conta de várias situações que envolveram o ex-diretor técnico da empresa Carlos Leitão.No primeiro pedido de demissão, que não seria aceite, o secretário-geral adjunto do MAI demissionário referia que Viegas Nunes no período em que exerceu funções como Presidente da SIRESP S.A. propunha “uma tentativa de concentração da gestão da rede SIRESP na esfera militar”.“Tal orientação poderia conduzir a um modelo de decisão de natureza corporativa, sem vantagens claras para o MAI, pelo contrário, implicaria uma dependência da área da Defesa na gestão das comunicações críticas do MAI, sem criação de valor operacional relevante”, escreve no email dirigido à chefe de gabinete do ministro, Joana Araújo, e à adjunta Valentina Marcelino.Para Pombeiro, este conceito apenas permitia a comunicação a “um conjunto muito reduzido de grupos de conversação da rede” e evidenciava um “caráter limitado e não estruturante da solução”.No email, dá conta que a saída de Viegas Nunes, em março de 2024, decorreu da necessidade de regressar à efetividade de funções no Exército para efeitos de promoção a major-general.Na sequência dessa saída, o diretor técnico Carlos Leitão, responsável por vários projetos financiados pelo PRR, procurou dar continuidade à intenção de aproximar a SIRESP, S.A. da esfera do Exército, o que, segundo Pombeiro, “viria a ser posteriormente corrigido pela tutela, ao determinar que os sistemas centrais da rede SIRESP deveriam permanecer em infraestruturas do MAI”..SIRESP. Ministério da Administração Interna rejeita ilegalidades e destaca idoneidade de Viegas Nunes.Embate inicial no SIRESP com Luís Neves à defesa