Duarte Cordeiro, antigo ministro do Ambiente e da Ação Climática.
Duarte Cordeiro, antigo ministro do Ambiente e da Ação Climática. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Duarte Cordeiro: “Ao ficar de fora fico menos comprometido com a atual liderança e com as suas decisões”

O socialista recusou integrar a Comissão Política Nacional do PS por considerar que a a decisão poderia seria interpretada como apoio a José Luís Carneiro, preferindo manter liberdade para discordar da direção. “A liderança promoveu a ideia de que aceitar o convite da CPN significava ser da equipa ou apoiar o líder. Eu não encaixo em nenhum desses perfis”, afirmou.
Publicado a

Duarte Cordeiro recusou o convite de José Luís Carneiro para integrar a nova Comissão Política Nacional do PS, assumindo que a decisão visou preservar autonomia face à atual liderança do partido. Numa primeira explicação, a ausência do ex-ministro do Ambiente da lista para a CPN foi atribuída a “indisponibilidade”. No entanto, em declarações ao Diário de Notícias, Duarte Cordeiro esclareceu que optou por ficar de fora por entender que a entrada naquele órgão seria lida como um sinal de alinhamento com o secretário-geral socialista.

“Não aceitei o convite. Tive preocupações que não ficaram devidamente esclarecidas”, afirmou. Duarte Cordeiro acrescentou que sentiu que “a liderança promoveu a ideia de que aceitar o convite da CPN significava ser da equipa ou apoiar o líder”, sublinhando: “Eu não encaixo em nenhum desses perfis.”

O ex-governante, sobretudo associado ao campo pedronunista, ou pelo menos ao seu espaço político, mas que neste momento procura afirmar-se com autonomia própria colocando como reserva para a liderança, explicou ainda que preferiu manter liberdade política para discordar da atual direção. “Acabei por avaliar que, ao ficar de fora, fico menos comprometido com a atual liderança, com as suas decisões, e conservo melhor a minha liberdade para discordar”, declarou. “Já estava fora e decidi continuar de fora”, acrescentou, ressalvando que “não faço juízo nenhum sobre as decisões de mais ninguém”.

A recusa surge no momento em que José Luís Carneiro apresenta a nova composição dos órgãos nacionais do partido, que serão votados este domingo, na reunião da Comissão Nacional do PS. Na lista proposta para o Secretariado Nacional, o secretário-geral mantém muitos dos membros atuais, mas introduz várias novidades.

Entre as entradas destacam-se a ex-ministra Ana Mendes Godinho e a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, além dos ex-deputados Luís Soares e Sérgio Ávila e da ex-secretária de Estado Fátima Fonseca. De saída do Secretariado Nacional ficam os eurodeputados Ana Catarina Mendes e Francisco Assis, assim como Pedro Costa e Sérgio Sousa Pinto.

A nova proposta de José Luís Carneiro procura combinar continuidade e renovação na direção socialista. Ainda assim, a recusa de Duarte Cordeiro em integrar a Comissão Política Nacional introduz um sinal político relevante, ao reforçar o que já se sabia: nem todas as figuras de peso do PS aceitam ser associadas à atual liderança ou integrar a sua esfera de apoio direto.

Duarte Cordeiro, antigo ministro do Ambiente e da Ação Climática.
Carneiro lê nas sondagens que "os portugueses não confiam no Governo"
Duarte Cordeiro, antigo ministro do Ambiente e da Ação Climática.
José Luís Carneiro pede esforços para listas únicas às federações e concelhias e propõe data para as eleições
Diário de Notícias
www.dn.pt