José Luís Carneiro em Torres Vedras
José Luís Carneiro em Torres VedrasCARLOS BARROSO/LUSA

Custo de vida. Carneiro acusa Governo de funcionar "ao retardador" e exige medidas com efeito imediato

“É incompreensível que o mesmo Governo que diz aos portugueses que não tem condições para os apoiar, tenha tirado da cartola quase 400 milhões de euros” para entrar no capital da REN, criticou.
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O secretário-geral do PS, Jose Luís Carneiro, acusou este domingo (20 de setembro) o Governo de funcionar "ao retardador" e exigiu a adoção de medidas imediatas para mitigar o aumento do custo de vida, como a descida do IVA.

"É que este Governo funciona sempre ao retardador e nós temos de ter um Governo que seja capaz de antecipar as crises e responder às necessidades das pessoas e é aquilo que o Governo é incapaz de fazer", acusou, em declarações aos jornalistas à margem da ‘rentrée’ do PS de Torres Vedras.

Os socialistas defendem a descida do IVA sobre os combustíveis e IVA zero no cabaz alimentar, medidas que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse este domingo que levariam Portugal a entrar em défice em 2027.

“As propostas que apresentamos cabem no âmbito da folga orçamental que o Governo criou por força do aumento da receita, quer do IVA, quer em resultado dos impostos que aplicou em 2024 e 2025 aos combustíveis”, reagiu, por seu turno, o secretário-geral do PS.

José Luís Carneiro reiterou que o Governo está “a ganhar dinheiro com os efeitos da inflação”.

O líder dos socialistas criticou o ministro das Finanças de estar preocupado com o défice, mas gastar 400 milhões de euros na participação na REN, motivo pelo qual o PS exigiu a sua ida ao Parlamento para prestar esclarecimentos.

“É incompreensível que o mesmo Governo que diz aos portugueses que não têm condições para os apoiar num momento de dificuldades, tenha tirado da cartola quase 400 milhões de euros”, criticou.

Carneiro sublinhou que as medidas anunciadas na última semana pelo Governo para aliviar o custo de vida deixaram de fora “dois milhões de trabalhadores que não pagam IRS porque têm salários muito baixos e que, por essa via, não são beneficiários dos apoios que o Governo deu em sede do IRS”.

Para o socialista, “o Governo está a contribuir com as suas opções para dificultar a vida às pessoas, quer porque não responde às necessidades fundamentais do custo de vida, no custo com os combustíveis, no custo com os bens alimentares, no custo com a eletricidade, no custo com o gás e no apoio às empresas expostas a esta crise, mas para além disso, com políticas que tomou, está a tornar os custos da habitação totalmente incomportáveis”.

Respondendo ao primeiro-ministro, que afirmou não querer ser “o pai da austeridade”, Carneiro afirmou que Luís Montenegro devia “ouvir aquilo que disse enquanto líder da oposição”, quando exigiu a descida do IVA ao Governo liderado por António Costa.

O secretário-geral do PS aproveitou para diferenciar as suas propostas, com efeitos imediatos, das do Chega, com efeitos no início de 2027, e para responder ao ministro das Finanças, afirmando que “o governo não pode agora procurar folgar as costas à custa daquilo que estão a procurar criar, que é uma disputa entre um e outro partido”.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, avisou este domingo que a redução do IVA dos combustíveis e a aplicação de IVA zero ao cabaz alimentar, pedidas pelo Chega e PS, fariam Portugal entrar em défice em 2027.

José Luís Carneiro em Torres Vedras
Descida do IVA nos combustíveis e bens alimentares causaria défice orçamental, avisa ministro das Finanças
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