O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) indicou esta terça-feira, 3 de fevereiro, que haverá “alterações pontuais” de locais de voto no próximo domingo, dia da segunda volta das eleições presidenciais, devido aos estragos causados pela tempestade Kristin.“As únicas indicações que temos são de alterações pontuais em locais de voto. Por isso, aconselhamos os eleitores a informarem-se no próprio dia sobre onde votar porque o local pode ter sido alterado, principalmente nas zonas mais afetadas”, afirmou André Wemans.O responsável explicou que a maioria das alterações se deve a danos causados pelo mau tempo nos edifícios onde iria decorrer a votação.“Devido à tempestade, houve danos em alguns edifícios onde decorreu a primeira volta das eleições presidenciais e, por causa disso, deixaram de poder garantir condições para acolher as mesas de voto”, especificou.André Wemans garantiu que, em termos logísticos, está tudo pronto para o ato eleitoral de domingo.“Sabemos que na parte da logística está tudo a postos. Mas sabemos a situação em que parte do país está, por isso, vamos acompanhando a situação porque está prevista mais chuva forte e intensa durante esta semana”, afirmou, admitindo que até domingo poderá haver mais alterações.Até ao momento, já solicitaram alteração de local de voto municípios de 10 dos 18 distritos de Portugal Continental e um da Região Autónoma da Madeira, pedido aprovado pela CNE, segundo o Portal do Eleitor, da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Lisboa, Santarém, Vila Real e Viseu são os 10 distritos com municípios que já pediram mudanças.O pedido de alteração de local de voto deveu-se a “motivos de força maior”, sustenta o Portal do Eleitor, sem especificar quais.No distrito de Coimbra, um dos que registou mais estragos na sequência da tempestade, há três concelhos onde há alterações de locais de voto, nomeadamente Coimbra, Condeixa-a-Nova e Figueira da Foz.Depois, os distritos de Bragança, Évora e Viseu registam duas mudanças cada, e os restantes uma cada um.Também na Madeira há uma única alteração, designadamente no concelho do Funchal.Os cidadãos elegem o próximo Presidente da República numa segunda volta no domingo, depois de António José Seguro ter obtido na primeira volta 31,1% (1.755.563 votos) e André Ventura 23,5% (1.327.021 votos).Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.