No dia em que os PS assinala 53 anos de vida, o partido faz, este domingo, 19 de abril, a primeira reunião da Comissão Nacional depois do XXV Congresso. Entre as várias críticas reiteradas ao Governo, o líder socialista, José Luís Carneiro, garante que "os portugueses estão a dizer que não confiam no Governo", algo que é refletido nas sondagens, conclui."Sabemos bem que é mais importante estarmos a subir nas sondagens do que estarmos a descer", observou Joé Luís Carneiro, lembrando que haverá alturas em que irá descer. No entanto, três dias depois de várias sondagens colocarem o PS à frente nas intenções de voto dos portugueses, à frente da AD e do Chega, José Luís Carneiro recusou viver com a "inquietação das sondagens". "São indicadores, são retratos do momento, mas há uma coisa que elas estruturalmente já dizem", explicou, referindo que dizem que "os portugueses não confiam no Governo", para além de espelharem que "Luís Montenegro está errado quando diz que o país está melhor". O aumento do custo de vida não ficou de fora da intervenção. "Porque quem diz que o país está melhor esquece as dificuldades de quem não consegue enfrentar o aumento do custo de vida, de quem desconhece a vida das pessoas", atacou, Carneiro ainda classificou como "incompreensível que um partido e uma aliança que vinha com uma palavra de família na boca quando apareceu nas eleições, hoje apresente propostas para as questões laborais que verdadeiramente colocam em causa a compatibilidade entre a vida familiar e a vida profissional"."Ofensa à dignidade" dos trabalhadoresAludindo a promessas feitas pela AD durante a campanha eleitoral, José Luís Carneiro perguntou retoricamente em que é que afinal o Governo se concentrou, dando uma resposta sob a forma de crítica: "Não em cumprir aquilo que tinham prometido em campanha eleitoral há dois anos." Entre as promessas evocadas,o líder do PS lembrou que "[os membros da AD prometeram que] resolveriam, como por um golpe de mágica, os problemas graves e complexos na saúde, como se solucionassem de forma célere os problemas graves da falta de professores nas escolas, em todas as salas de aula e em todas as disciplinas". O secretário-geral do PS continuou a lista de promessas que, analisou, não foram concretizadas, atribuindo ao Governo criticas dirigidas aos socialistas por a economia, durante a governação de António Costa, só crescer "mais de 3% ao ano". "Agora, crescem a 1.9% e já estão satisfeitos", vincou, afirmando metaforicamente que "tocam as sinetas todos os dias quando estão a crescer muito menos do que crescíamos no nosso tempo". Com esta análise, José Luís Carneiro concluiu que "o Governo que não cumpriu nem cumpre e mostra incapacidade" em "responder aos temas que preocupam" as pessoas veio concentrar-se num "tema que não inscreveu no programa eleitoral": alteração da legislação laboral."Melhor dizendo, a contrarreforma das leis laborais", retificou, deixando mais uma pergunta retórica: "Vieram com as propostas de reformas laborais para proteger os trabalhadores face aos desafios novos da nova economia, que tem aí a inteligência artificial a bater à porta, que tem a transição digital e a transição climática, a transição energética que vai implicar impactos globais às empresas nacionais, para responder aos impactos geopolíticos e geoestratégicos que estão a obrigar as sociedades e os Estados a adaptarem-se à transição e à valorização industrial da infraestrutura produtiva, protegendo os trabalhadores nessas mudanças?""Não", respondeu, acrescentando que "fizeram precisamente o contrário", incluindo um aligeiramento de "despedimentos, para aumentar a precariedade dos mais jovens, para ofender os mais vulneráveis e para dificultar a compatibilização entre a vida pessoal, familiar, a vida profissional e a vida de relação com o conjunto da sociedade". Face a estes argumentos, o líder do PS garantiu que "não podem contar" com o partido "para esta ofensa que está a ser feita à dignidade das trabalhadoras e dos trabalhadores no nosso país". Carneiro considerou "incompreensível que um partido e uma aliança que vinha com uma palavra de família na boca quando apareceu nas eleições, hoje apresente propostas para as questões laborais que verdadeiramente colocam em causa a compatibilidade entre a vida familiar e a vida profissional". Em atualização..Carneiro avisa Governo sobre eleição para TC: "Ouvirão um 'não' se desfigurarem os equilíbrios da democracia".Duarte Cordeiro opta por não integrar comissão política nacional do PS