Portugal vai lançar, em breve, o concurso para a aquisição de novos caças. O CEO da Airbus, que produzem os caças Eurofighter, mostra-se confiante na plataforma que tem para apresentar às autoridades portuguesas e apela à necessidade de os vários Estados-membros comprarem equipamento europeu. Em conversa com jornalistas portugueses no decorrer da Defense Summit 26 da Airbus, em Manching (Alemanha), Guillaume Faury salientou que o grupo – o maior fornecedor europeu no sector da Defesa – “garante soberania nas soluções que entrega”. Tradução: europeu é mais seguro que apostar no maior concorrente do grupo neste concurso, os americanos da Lockheed Martin, com o seu F-35.“[Em Portugal] está a decorrer um concurso. Gostaria de dizer que a Airbus é uma empresa que coopera à escala europeia. Garantimos a soberania da solução que desenvolvemos. E gostamos de acreditar que a Europa precisa mesmo de crescer e progredir na área da Defesa, não só comprando equipamento, mas também comprando equipamento europeu”, disse o responsável máximo da Airbus. O ponto de partida do setor na Europa, explicou, é que os países da UE compram às empresas do bloco europeu menos de 10% do que os Estados Unidos compram às empresas americanas. .“Isso é algo que precisamos de mudar com o tempo. Portanto, estamos, fortemente, a defender que os países europeus tenham esta perspectiva estratégica de reforçar a base industrial e técnica europeia, confiando nos sistemas europeus. Estes sistemas podem ser muito competitivos. Na verdade, estão a gastar muito menos dinheiro do que outros países do mundo. Por isso, estou muito confiante de que, com a visão estratégica dos países europeus, comprar a fontes europeias nos levará a esse ponto e permitir-nos-á defender a Europa da forma que precisamos face aos conflitos modernos”, salientou o gestor francês.“Isto aplica-se a esta licitação em Portugal, mas também a muitas outras licitações na Europa. Estamos a oferecer soluções. Não estamos desesperados para ganhar todos os concursos, mas queremos garantir que a Europa caminha na direção certa. Este é o ADN da Airbus”, concluiu.O DN questionou o CEO da Airbus sobre se o grupo estaria disposto a colocar em cima da mesa a possibilidade de basear em Portugal parte da montagem dos aparelhos, como contrapartida à compra dos caças. Guillaume Faury disse que o grupo já está, de facto, a investir em Portugal e que não precisou de vencer um concurso para tomar essa decisão. “Estamos hoje presentes em Portugal e não esperámos por concursos de defesa para investir em Portugal na produção de aeroestruturas. Temos muitos serviços, serviços internos da Airbus, que dependem da nossa subsidiária portuguesa. Por isso, estamos presentes em Portugal. Estamos a concorrer em vários concursos, não só de aviões, mas também de helicópteros e satélites. E há mais a chegar. Somos também muito fortes na cibersegurança, e isso é algo que oferecemos a todos os países europeus, incluindo Portugal”, sublinhou..A Airbus conta, atualmente, com parcerias firmadas com mais de 30 empresas portuguesas – incluindo com a Critical Software, a AED, entre outras – sendo responsável pela criação de 1600 empregos no país, gerando cerca de 70 milhões de euros por ano em encomendas da cadeia de fornecimento.Além dos centros em Lisboa e Coimbra, a multinacional francesa tem ainda uma unidade industrial em Santo Tirso, a Airbus Atlantic. A prioridade na fábrica de Santo Tirso é a produção civil, nomeadamente com a produção das secções de fuselagem para as famílias Airbus A320 e A350, mas o grupo admite que há espaço físico para uma expansão futura. O CEO da Airbus foi ainda confrontado com o tema do programa FCAS (Future Air Combat System) – a resposta europeia aos avanços tecnológicos dos EUA neste campo – um projeto com alguns avanços e bastantes recuos. As dificuldades no programa FCAS podem ser um obstáculo à aquisição de caças Eurofighter, seja por Portugal seja por outros países? “Não creio. Penso que a capacidade da Airbus para criar as condições para uma cooperação bem-sucedida na Europa é demonstrada todos os dias. E o que vemos aqui hoje é uma prova da nossa capacidade de cooperar. Não diria que o foco está no impasse. A transição da fase um para a fase dois dos caças está num momento difícil. Mas, mais uma vez, o futuro sistema de combate aéreo tem sete pilares. Por conseguinte, não devemos considerar a dificuldade de um pilar como a incapacidade da Europa em cooperar. E, mais uma vez, na Airbus, temos participado com sucesso em grandes cooperações europeias e assim continuará a ser”, sublinhou Faury.. O jornalista do DN assistiu à Defense Summit 26, na Alemanha, a convite da Airbus.