André Ventura vai presidir CPI aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária
O grupo parlamentar do Chega divulgou neste sábado, 3 de outubro, que o líder do partido, André Ventura, será o presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, e às eventuais responsabilidades dos governantes que o tutelaram durante esse período.
Também foi divulgado pelo grupo parlamentar do Chega, que impôs esta CPI de forma potestativa, após a segunda versão do requerimento enviado ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, ser parcialmente aceite, que os restantes quatro deputados indicados pelo partido como efetivos serão Cristina Rodrigues, Ricardo Reis, Rui Paulo Sousa e Sandra Ribeiro. E os suplentes serão o líder parlamentar, Pedro Pinto, e Bruno Nunes.
Além dos representantes do Chega, já foi confirmado que o deputado único do Juntos pelo Povo, Filipe Sousa, também autor de um requerimento para a constituição de uma comissão para escrutinar a atuação do atual ministro da Administração Interna quando dirigia a Polícia Judiciária, vai integrar a CPI aos mandatos de Luís Neves. E a Iniciativa Liberal será representada pelo seu antigo presidente, Rui Rocha, que foi um dos protagonistas da audição regimental a Neves, perguntando-lhe a certo momento se fazia parte da Maçonaria. Algo que foi negado pelo governante.
A escolha de André Ventura para a presidência da CPI - caberá ao PSD e ao PS indicarem nomes para as duas vice-presidências - ganhará um peso especialmente simbólico. O líder do Chega dedicou-se nos últimos meses a exigir a saída do ministro da Administração Interna, a quem apelida de "xerife da República", apresentando uma moção de censura ao Governo por considerar que a sua credibilidade está comprometida pela manutenção do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária. E Luís Neves disse publicamente, numa cerimónia da PSP, na ilha de Madeira, que uma das suas motivações era "contribuir para derrotar politicamente o populismo".
Em várias ocasiões, o líder do Chega disse que espera ver a comissão parlamentar de inquérito arrancar os trabalhos antes de a Assembleia da República se concentrar na discussão da proposta do Orçamento do Estado para 2027. Esta deverá ser entregue pelo Governo na próxima sexta-feira, 9 de outubro, com a discussão na generalidade marcada para 27 e 28 do mesmo mês. Estando a aprovação garantida, pela abstenção do PS, segue-se o trabalho na especialidade, entre 29 de outubro e 24 de novembro, data em que está agendada a votação final.
A CPI aos mandatos de Luís Neves abordará a Operação Pacoba, em que a Polícia Judiciária desmantelou uma organização de narcotráfico, tendo apreendido um atrelado, carregado de produtos químicos, que foi levado para as instalações da Construbarcelos. E será investigada a relação do atual governante com essa empresa, que fez trabalhos de construção numa imóvel da sua família.
Igualmente no âmbito da comissão estarão as circunstâncias em que terão desaparecido criptoativos e armas que se encontravam à guarda da Polícia Judiciária. E os motivos para que essa força policial, então liderada por Luís Neves, tenha sido afastada da Operação Influencer, que culminou na demissão do primeiro-ministro António Costa.
De fora da CPI, por terem sido rejeitados por Aguiar-Branco, ficaram dois pontos do requerimento do Chega, relativos a alegados condicionamentos do trabalho de jornalistas pelo filho de Luís Neves - que terá perseguido uma equipa de reportagem do Nascer do Sol numa estrada do concelho de Odemira -, e a eventuais conflitos de interesses com empresas não identificadas.

