O líder do Chega, André Ventura, anunciou que desapareceram do seu gabinete na Assembleia da República documentos relacionados com a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que o seu partido está a preparar para escrutinar os mandatos do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Admitindo que o apuramento de quem terá sido responsável pelo furto de uma pen drive e de uma pasta com documentação em papel de suporte à CPI a Luís Neves, tendo ainda desaparecido outra pen drive e documentos com informação política sobre o Governo, bem como um objeto pessoal que não identificou, poderá ser dificultado pela ausência de videovigilância na área nobre da Assembleia da República, Ventura defendeu que "o Parlamento tem que reforçar a segurança". Apesar de ter garantido não estar a levantar suspeitas sobre ninguém, o líder do Chega recordou que na sexta-feira passada disse publicamente que a CPI a Luís Neves tinha de avançar, entre outros motivos, devido a "documentos que nos tinham chegado e que estavam na nossa posse". E acrescentou: "Não posso deixar de fazer uma associação entre as duas coisas." "Espero que a investigação faça o seu trabalho. Acho que temos de pensar racionalmente, embora estes sejam o tipo de coisas que nunca deveriam acontecer. Acho que isto foi um ataque ao Chega e à posição que tem tido na defesa da democracia e à nossa coragem", disse André Ventura, em declarações a jornalistas na Assembleia da República, enquanto decorriam perícias da Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária nas instalações do seu grupo parlamentar.O alerta inicial foi dado por uma funcionária que fazia a limpeza da Assembleia da República, e quando o primeiro deputado do Chega entrou no gabinete, cerca das sete da manhã desta terça-feira, já estavam militares da GNR a dar conta daquilo que nessa altura aparentava ser um caso de vandalismo, com os armários do gabinete de André Ventura abertos e documentos espalhados pelo chão. Foi Francisco Gomes, eleito pelo círculo da Madeira, que se teria dirigido às instalações do grupo parlamentar para gravar um vídeo para o TikTok, a registar as imagens que o líder do partido divulgou nas redes sociais. O líder do Chega disse que o gabinete costuma ficar destrancado, tal como o resto das instalações do grupo parlamentar, acrescentando que essa é uma prática generalizada em toda a área nobre da Assembleia da República. E voltou a considerar triste que na Casa da Democracia "qualquer partido seja ameaçado, intimidado ou mesmo que seja só vandalizado".. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, já terá falado com André Ventura acerca da ocorrência, acompanhando as investigações. Neste momento já começou a pausa entre sessões legislativas, ficando o funcionamento dos trabalhos parlamentares a cargo da Comissão Permanente onde estão representados eleitos de todos os partidos.Solidário com o lider do Chega está o conselheiro nacional do PSD Vitório Rosário Cardoso, que tem sido um dos críticos mais incisivos da manutenção de Luis Neves no Ministério da Administração. Numa mensagem partilhada nas redes sociais, o social-democrata escreveu que “chegámos ao grau zero negativo da chamada democracia liberal em Portugal” e que “têm de ser apuradas todas as responsabilidades criminais, doa a quem doer”, do que aconteceu no gabinete de André Ventura. “Não foi para isto que fizemos o 25 de Novembro”, disse. .Montenegro pede investigação rápida sobre gabinete de Ventura e considera “inconcebível em democracia”.Chega vai avançar com Comissão de Inquérito a Luís Neves. PS acusa partido de querer fragilizar a PJ