Marcelo acompanha investigação de Tancos "com todo o interesse"

"O pior que podia acontecer era sobre uma matéria desta sensibilidade ficar uma cortina de nevoeiro que não fosse possível ultrapassar com o apuramento da verdade", disse o chefe de Estado

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quinta-feira acompanhar "com todo o interesse" a investigação criminal sobre o caso de Tancos, recordando que sempre insistiu no apuramento "do que se passou".

À margem da IV Cimeira do Turismo, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que no "último ano e alguns meses" sempre insistiu "pelo apuramento do que se passou em Tancos, no sentido de apuramento do que aconteceu às armas, num primeiro momento, e o apuramento do que aconteceu às armas, num segundo momento".

"Sempre disse que uma investigação criminal era fundamental", reforçou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que, por isso, acompanha "com todo o interesse" a investigação criminal que agora decorre nos dois planos.

"Os portugueses querem saber o que se passou com a devolução das armas e querem saber o que se passou com o desaparecimento das armas. Espero que seja possível, correspondida, essa pretensão justa dos portugueses na investigação em curso", afirmou o chefe de Estado.

Questionado sobre se este processo não afeta a credibilidade das instituições, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que sempre considerou que a investigação criminal era fundamental, "precisamente, pelo prestígio das Forças Armadas, pelo prestígio do Estado e da Democracia".

"O pior que podia acontecer era sobre uma matéria desta sensibilidade ficar uma cortina de nevoeiro que não fosse possível ultrapassar com o apuramento da verdade", disse.

"Tudo o que seja levar até ao fim a investigação em curso, que deu agora um passo, aparentemente, importante, é bom para as Forças Armadas, é bom para a Democracia, é bom para o Estado de Direito e vamos olhar para as conclusões dessas investigações, nos vários planos, e depois, naturalmente, inferir comportamentos para o futuro", acrescentou.

Instado ainda a comentar se o Chefe do Estado Maior do Exército tem condições para continuar no cargo, o Presidente da República insistiu: "Acabei de dizer que vamos olhar para as conclusões dos processos em curso e depois agir em conformidade, é essa a minha posição".

Marcelo Rebelo de Sousa recusou ainda comentar o facto de agora se questionar a existência da Polícia Judiciária Militar (PJM), reiterando que não comenta "investigações em curso".

O diretor-geral da Polícia Judiciária Militar (PJM), Luís Vieira, foi detido na terça-feira, estando entre os oito visados por mandados de detenção emitidos na Operação "Húbris", relacionada com o caso das armas furtadas em Tancos.

Para além de Luís Vieira, os mandados de detenção visaram outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos da GNR.

A Operação Húbris investiga o aparecimento na Chamusca em outubro de 2017 de material furtado em Tancos e, segundo o Ministério Público, em causa estão "factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas".

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

Em outubro, a PJM divulgou, através de comunicado, que tinha recuperado o material de guerra furtado.

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