Tancos: diretor da Judiciária Militar detido. Suspeito de conivência com assaltante

Militares da PJM e da GNR são suspeitos de terem forjado a "recuperação" das armas roubada em Tancos em conivência com o assaltante

O diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), coronel Luís Vieira, foi detido no âmbito de uma operação da PJ relacionada com o roubo de Tancos. Em causa estão suspeitas de que militares da PJM e da GNR, tenham, em cumplicidade com o alegado autor do roubo, forjado a "recuperação" das armas, para prejudicar investigação da PJ.

O Ministério Público (MP) e a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ estão a fazer buscas nas instalações da Polícia Judiciária Militar (PJM), em Lisboa e no Porto. A operação está relacionada com o furto do material militar em Tancos e visa militares da PJM suspeitos de terem forjado a "recuperação" das armas, em conivência com o próprio autor do roubo. O destacamento da GNR de Loulé também está a ser alvo de buscas, por alegada cumplicidade no processo. Há mandados de detenção para cerca de meia dezena de militares, incluindo oficiais. Um sargento da GNR de Loulé também foi detido.

O coronel Luís Vieira, 55 anos, dirige a PJ desde 2011, é formado na Academia Militar, tem o curso de Comandos e uma licenciatura em Direito.

Trata-se de um inquérito que decorreu em Lisboa, à margem da investigação ao furto que está a ser coordenado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Em ambos o MP tem a UNCT a coadjuvá-los.

O material foi parcialmente recuperado a 18 de outubro de 2017, 113 dias depois de ter sido detetado o seu desaparecimento dos paióis de Tancos, a 28 de junho. A PJM contou que tinha recebido uma "chamada na anónima" a dar conta da presença dos caixotes com o material perto da Chamusca, mas os inspetores da UNCT, na altura liderados por Luís Neves, o atual diretor nacional da PJ, notaram algumas incongruências na narrativa. Um novo inquérito foi aberto e vários militares foram colocados sob investigação.

Recorde-se que a PJM disse em comunicado que "na prossecução das suas diligências de investigação no âmbito do combate ao tráfico e comércio ilícito de material de guerra, recuperou (...) na região da Chamusca, com a colaboração do núcleo de investigação criminal da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Loulé, o material de guerra furtado dos Paióis Nacionais de Tancos".

Este comunicado da PJM levantou suspeitas. Primeiro pelas "diligências de investigação" quando o inquérito estava sob coordenação da PJ que desconhecia; depois pelo envolvimento da GNR de Loulé, bem longe do local em causa. Nada disto fazia sentido para a UNCT e não deu o caso por "encerrado" para surpresa da PJM. Ao contrário também do que chegou a dizer o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, em janeiro deste ano. Nesta altura já corria a nova investigação.

PGR confirma e lista crimes em causa

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República confirma a detenção de vários detidos entre a PJM e GNR.

"No âmbito de inquérito dirigido pelo Ministério Público, coadjuvado pela Polícia Judiciária, e na sequência de diligências hoje desencadeadas, foram efetuadas detenções. Entre os detidos estão militares da Polícia Judiciária Militar e da Guarda Nacional Republicana e um outro suspeito. Foram também realizadas buscas em vários locais nas zonas da Grande Lisboa, Algarve, Porto e Santarém", refere o comunicado.

Os crimes em causa são vários: "associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas."

A PGR refere que nesta operação foi coadjuvado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, "a qual contou com a colaboração de diversas unidades da PJ, nomeadamente o Laboratório de Polícia Científica".

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