Rui Rio: PSD com "muito mais latitude" para aprovar orçamentos

O líder do PSD foi entrevistado esta noite na SIC. Rui Rio disse que a hipótese de o PSD aprovar orçamentos do Estado aumentou.

"Não se deve criar dificuldades ao país só para criar dificuldades ao Governo."

Com esta frase, o líder do PSD afirmou esta noite, entrevistado na SIC, um PSD com "muito mais latitude" para aprovar orçamentos do Estado apresentados pelo Governo do PS - começando já pelo orçamento suplementar que se avizinha. Essa "latitude" é "muito grande".

Embora assegurando que o PSD não está "às ordens do Governo", nem disponível para aceitar "ideias ao desbarato", Rio insistiu no entanto na posição de sempre: face à pandemia do covid-19, o PSD está, face ao Executivo, numa posição de "colaboração" e não de "oposição".

"A lógica da governação vai ter de ser de salvação nacional porque a economia vai ficar numa situação terrível."

Aliás, segundo acrescentou, a "latitude muito grande" do partido para viabilizar orçamentos do Estado poderá incluir os orçamentos dos próximos anos - "2021, 2022, 2023", segundo disse - porque também esses vão ser muito "condicionados" pelas consequências na economia do que se está a passar agora.

O líder 'laranja' explicou ainda o que quis dizer quando há dias falou na necessidade de um governo de "salvação nacional" (ver notícia relacionada).

Segundo sublinhou, isso tem mais a ver "com a lógica da governação" e não com a forma do Governo - ou seja, com a necessidade de envolver uma coligação entre os dois maiores partidos. "A lógica da governação vai ter de ser de salvação nacional porque a economia vai ficar numa situação terrível", disse.

"Não estou em governo nenhum nem tenho de estar."

Portanto, quanto a um "bloco central" (coligação formal de governação entre o PS e o PSD), "neste momento não se deve pensar nisso" e não vale a pena "tentar desenhar cenários" - sendo que viu esta solução governativa como "um bocado contranatura".

"Não estou em governo nenhum nem tenho de estar", disse ainda, sublinhando que aquilo que o move não o seu interesse pessoal mas sim o interesse nacional.

Aliás, segundo referiu, o PSD vai manter a mesma atitude de "colaboração" com o Governo do PS apesar de, na quarta-feira, os socialistas terem chumbado no Parlamento todas as propostas que o PSD fez (nomeadamente para alterar a lei dos perdões de penas). "Isto não é para estados de alma."

Rui Rio admitiu ainda que, com os efeitos da pandemia, já "não há condições para se fazerem as reformas estruturais" que defendeu como prioritárias na campanha eleitoral (a da Justiça e a do sistema político).

Também disse que, se fosse agora primeiro-ministro, muito dificilmente teria condições para levar avante o choque fiscal que o PSD prometeu nas eleições.

Interpelado sobre as conclusões do Eurogrupo, o líder do PSD considerou que o importante é que as necessidades de financiamento do Estado português não tenham de passar pelo mercado livre da dívida pública - porque aí os juros tenderiam a "disparar". "A resposta tem de ser europeia", salientou.

Rio aproveitou ainda para deixar um "apelo" aos portugueses: que "não deixem de cumprir" as normas de distanciação social - porque são elas, no seu entender, que explicam o facto de Portugal estar a "alcançar resultados positivos" no combate ao covid-19.

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