Presidente da República visita tropas portuguesas em Cabul, com direito a "selfies"

O Presidente da República fez hoje uma visita de pouco mais quatro horas e meia aos militares portugueses no aeroporto de Cabul, em missão da NATO, onde não faltaram as "selfies" com soldados e oficiais. E foi no Afeganistão que pediu um Orçamento do Estado para 2020 que não seja "limiano".

O Falcon da Força Aérea Portuguesa que transportou, com Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro da Defesa, Gomes Cravinho, e o Chefe do Estado-Maior do Exército, José Nunes da Fonseca, chegou cerca das 15:00 (11:00 em Lisboa) à base onde estão a tropas da missão Resolute Support (RS), da Aliança Atlântica.

Após a chegada, Marcelo foi almoçar com os militares, em que fez um discurso para elogiar a missão dos portugueses - um total de 213 homens e mulheres, o maior número dos quais (154) são a Força de Reação Rápida na base militar de Cabul, de resposta a qualquer situação de perigo ou emergência.

O comandante supremo das Forças Armadas elogiou o trabalho das forças, apesar de este grupo, o quarto contingente desde 2017, estar há apenas um mês e meio em missão e agradeceu-lhes o esforço neste tempo de Natal, "de família e da família militar".

O Presidente falou às tropas para dizer que estava ali, na cantina, numa "festa dupla de família, de família portuguesa e de família militar".

E disse mesmo que este almoço, com os militares destacados, "vale tanto quanto o jantar que irá ter, dentro de dois dias, com os filhos e os netos".

A cerca de 7.000 quilómetros de Portugal, o Presidente da República justificou que o país "não se defende apenas nas fronteiras", mas sim em missões como esta, da NATO, de estabilização do Afeganistão.

De seguida, inaugurou um monumento em honra dos mortos portugueses no Afeganistão -- Roma Pereira, em 2005, e Oliveira Pedrosa, em 2007 - uma réplica em tamanho pequeno do memorial pelos mortos da guerra colonial, que existe em Belém, Lisboa.

No final, antes do "briefing" com os comandantes da força portuguesa, houve oportunidade para, em ambiente descontraído, fazer umas dezenas de "selfies".

"E agora, não fazemos uma 'selfie'?", perguntou o Presidente que é também Comandante Supremo das Forças Armadas. O regresso do Presidente da República e comitiva a Portugal deu-se cerca das 18:30. Por razões de segurança, só a essa hora, e já depois de o avião com Marcelo ter descolado, foi divulgada oficialmente a visita do Presidente português pelas autoridades.

Presidente contra OE "limiano"

Ainda no Afeganistão, o Presidente da República afirmou preferir que o Orçamento do Estado de 2020, do Governo PS, seja aprovado pela esquerda, em vez de uma "solução de recurso" de negociação "aqui e acolá", do tipo orçamento limiano.

"Começar uma legislatura com uma hipótese de recurso é começar uma legislatura de uma forma fraca", afirmou à Lusa Marcelo Rebelo de Sousa, à margem de uma visita, hoje, às tropas portuguesas numa missão da NATO em Cabul, Afeganistão, referindo-se implicitamente a uma eventual aprovação do orçamento com os votos dos deputados do PSD/Madeira, PAN e Livre.

Para o Presidente, "o que é natural é que sejam as forças que têm maioria numérica no parlamento e que estiveram na base do apoio do Governo anterior" a viabilizar o próximo Orçamento do Estado, que tem prevista a primeira votação, na generalidade, em janeiro e a final global em fevereiro.

Uma solução de viabilização do Orçamento com PS e partidos de esquerda, que estiveram na base da estabilidade do anterior Governo socialista (2015-2019) seria, afirmou, "mais estável, no começo de legislatura, do que uma solução negociada aqui e acolá".

"Isso daria, no início de legislatura, uma maior força" do que "uma solução negociada aqui e acolá", reforçou. Cenários desse tipo são mais próprios de um final de mandato.

Marcelo deu o exemplo de quando era "líder da oposição", como presidente do PSD, e viabilizou três orçamentos ao executivo socialista, sendo um quarto aprovado com uma "solução de emergência", ou seja, o deputado do CDS Daniel Campelo, em 2001.

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