Poiares Maduro acusa Ferro Rodrigues de ignorância

O presidente da Assembleia da República disse ser "inaceitável" não se saber quem são os proprietários dos Media e desafia o PS a legislar sobre a matéria. O ex-ministro Poiares Maduro acusa Ferro Rodrigues de "ignorância".

Em entrevista à revista Jornalismo e Jornalistas, do Clube dos Jornalistas, o presidente da Assembleia da República (AR) mostrou-se preocupado com a proliferação das fake news e defendeu que um dos problemas é o desconhecimento sobre os "proprietários de determinados meios de comunicação social".

Entende Ferro Rodrigues que o Estado - através do Governo e da Assembleia da República (AR) -, bem como os profissionais e os responsáveis empresariais de diversos grupos têm de dar uma resposta perante as fake news. E argumentou: "Porque há outra questão que é inaceitável: não se saber quem são os proprietários de determinados meios de Comunicação Social, que se sabe que praticamente não vendem nada e continuam a aparecer nos escaparates. É outra face desta moeda, uma situação muito pouco transparente. E explica muito a degradação e a fragilização".

Uma afirmação que motivou um post no Facebook de Miguel Poiares Maduro: "Que dizer quando um presidente da AR se pronuncia com tanta veemência como ignorância. Desde o final da última legislatura que é obrigatório o que o presidente da AR exige... Mais, a legislação portuguesa (aprovada por largo consenso na AR e com o envolvimento da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação) é seguramente das mais avançadas e abrangentes do mundo (incluindo até a transparência dos fluxos financeiros e não apenas dos proprietários). Podem confirmar aqui (vejam por ex os Artigos 3 e 5).

O ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, que teve a tutela da Comunicação Social no governo de Passos Coelho, critica, também, os jornalistas que, aparentemente, "desconheçam a lei da transparência dos OCS [Órgãos de Comunicação Social] e permitam assim que o Presidente da AR diga tal barbaridade sem lhe contraporem que, na verdade, já existe até mais do que ele pede..."

No entanto, a questão de uma maior transparência no que diz respeito à propriedade dos OCS é abordada no estudo da ERC, A Desinformação - Contexto Europeu e Nacional, apresentado no senado da AR esta segunda-feira por Mário Mesquita, vice-presidente da ERC e que supervisionou o trabalho.

Desinformação

O documento da ERC analisa sobretudo os novos media, as plataformas digitais, e chama a atenção para a credibilização desses meios, o que passa pela atribuição de um selo de identificação aos órgãos online que façam jornalismo, que poderá ser um blog. Sublinha, também, a importância de serem conhecidos os seus proprietários.

E, no interior da ERC, há quem faça meia culpa e aceite que este órgão regulador poderia ser mais interventivo e que esse será um dos desafios. Neste sentido, desenvolveram o Portal da Transparência, desenhado "para permitir a identificação e conhecimento da propriedade das entidades que prosseguem atividades de comunicação social, bem como da composição dos seus órgãos sociais e identificação do responsável pela orientação editorial e supervisão dos conteúdos".

"Esta ferramenta, em conjunção com a proposta de sinalização de todos os projetos de comunicação social online em Portugal poderá ser importante para mitigar a propagação e alcance da desinformação e do fenómeno das fake news, uma vez que poderá fornecer informação relevante para as pessoas na sua escolha de quais os órgãos de comunicação social e sites online que lhes merecem ou não credibilidade informativa", explica o estudo.

As críticas de Ferro Rodrigues na entrevista que deu ao Jornalismo e Jornalistas dirigiam-se mais diretamente às plataformas digitais, desafiando o Governo ou o grupo parlamentar do PS a legislar sobre a matéria: "É evidentemente que, havendo tanta comunicação que não é a tradicional, a coisa pode não ter um impacto total, porque não apanha blogues, websites e coisas parecidas. Mas pode ser um primeiro passo", disse.

Defendeu, também, que o "papel preventivo e sobretudo de informação ao país por parte da ERC deveria ser mais forte".

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.