Mendes diz que Rio ganhou, mas tem de ser "inclusivo, acutilante e diferenciador"

Antigo líder do PSD considera que, depois da vitória no Conselho Nacional extraordinário do PSD, Rui Rio "ganhou em definitivo o direito de ir às legislativas" e também "adrenalina".

Marques Mendes elogiou na SIC o modo como Rui Rio geriu o desafio lançado por Luís Montenegro e a investida dos críticos internos. Disse que fez bem ao apresentar a moção de confiança, fez dois bons discursos e geriu com "profissionalismo" toda a crise e a forma como desgastou os adversários internos no Conselho Nacional.

Mas perante o país ganhou alguma coisa? Marques Mendes pensa que não. Já no partido, "ganhou em definitivo o direito de ir às eleições legislativas" e "adrenalina", ou seja, Rio e os seus apoiantes ficaram mais motivados.

Mas o antigo presidente social-democrata advertiu que durante os oito dias de confronto no PSD "ninguém elogiou a liderança de Rui Rio" e garantiu que ninguém está feliz com a sua liderança. Este é o momento, disse Mendes, para Rio mudar e ser "inclusivo, acutilante e mobilizador".

O comentador político defendeu que Rio deve chamar mais militantes a trabalhar com ele e deve ser mais firme na oposição a António Costa, tal como foi no confronto com Montenegro. Além disso, deve ter causas que "diferenciem" o PSD do PS: na economia, na saúde, no combate à pobreza e às desigualdades sociais, no sistema político. "Se Rio mudar, a vitória foi importante, Se não mudar, foi uma vitória de Pirro", disse.

De Montenegro considerou que ganhou o direito a estar na pole position para a corrida à liderança daqui a dez meses, se as coisas correrem mal ao PSD. "A tradição no PSD é que quem desafia a liderança está sempre na primeira linha do combate seguinte."

Marques Mendes elegeu ainda sete potenciais candidatos à liderança do PSD no futuro. Passos Coelho, que "pode ter a tentação de regressar"; Luís Montenegro, que passou a ser "incontornável"; Paulo Rangel; Carlos Moedas, Miguel Pinto Luz, Pedro Duarte e Miguel Morgado.

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