Meios aéreos estão a ser suficientes, garante Eduardo Cabrita

Mais de uma centena de fogos que ocorreram na quarta-feira fora atacados e extintos logo na sua fase inicial com duas dezenas de meios aéreos.

Os meios aéreos disponíveis para combater fogos florestais, embora menos que o previsto, estão a ser suficientes para a Proteção Civil responder a todos os casos, garantiu esta quinta-feira o ministro da Administração Interna.

Eduardo Cabrita, que falava aos jornalistas em Belas e à margem do maior exercício de Proteção Civil realizado em Portugal, deu o exemplo dos mais de 100 incêndios ocorridos quarta-feira em todo o território nacional e que foram extintos logo na sua fase inicial com o envolvimento das duas dezenas de meios aéreos em operação.

O governante adiantou que até ao fim de semana começam a operar mais 12 meios aéreos, elevando para dois terços dos 60 anunciados como disponíveis a 01 de junho deste ano. Eduardo Cabrita deixou ainda a garantia de que, em caso de necessidade, serão lançados todos os concursos por ajuste direto que forem precisos.

Mourato Nunes, presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), assumiu ter de garantir a capacidade de resposta dos serviços com os meios disponíveis e que, para compensar as aeronaves ainda em falta, foi feito um reforço dos meios terrestres.

Eduardo Cabrita destacou ainda que Proteção Civil foi capaz de responder quarta-feira aos mais de 100 fogos florestais apesar de ter centenas de elementos afetos ao exercício europeu Cascade'19 nos distritos de Aveiro, Lisboa, Setúbal e Évora.

"Estamos preparados, como estamos a demonstrar", frisou o ministro da Administração Interna, falando no meio dos escombros de uma antiga fábrica de cerâmica utilizada como um dos cenários do exercício de Proteção Civil iniciado terça-feira e que se prolonga até sábado.

O Cascade'19 é um exercício real com mais de 3500 operacionais e figurantes que testa a capacidade de resposta simultânea a um ciclone na zona de Aveiro e um terramoto de grande intensidade em Lisboa, Setúbal e Évora - cidade onde o ministro da Defesa acabou por ficar ferido e ser transportado para o hospital.

O exercício engloba 40 cenários diferentes e ao pedido de ajuda português responderam, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cinco países: Espanha, França, Alemanha, Croácia e Bélgica. "Quem está fazer o exercício não sabe" a dimensão dos estragos, quando têm de responder e a que tipo de circunstâncias", destacou o ministro Eduardo Cabrita, após o briefing dado pelo comandante operacional da Proteção Civil, Duarte Costa, no posto de comando instalado na base aérea de Sintra.

Colapso de pontes, acidentes rodoviários, derrames de poluição marítima e produtos químicos, incêndios e derrocadas de edifícios foram algumas das consequências do ciclone e do terramoto (mais as réplicas) a que os agentes de proteção civil portugueses e estrangeiros têm estado a responder - e que, até esta manhã, já tinham provocado 192 mortos e 712 feridos.

Com a presença de vários responsáveis europeus de Proteção Civil, o exercício está a servir para as Forças Armadas - a quem as autoridades civis pediram ajuda - testarem a sua capacidade de apoio a calamidades de grandes dimensões.

Nesse sentido, pela primeira vez foi ativado o Estado-Maior da Força de Reação Imediata (FRI) e o respetivo posto de comando móvel que, por exemplo, está a operar os sistemas de comunicações apenas via satélite.

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