"Não sei o que estou aqui a fazer", declara chefe do Exército

General Rovisco Duarte diz ao Parlamento não ter revelado nada de novo face ao que já tinha contado à porta fechada

O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) declarou desconhecer as razões da sua audição parlamentar desta terça-feira perante a Comissão parlamentar de Defesa.

"Não sei o que estou aqui a fazer", exclamou o general Rovisco Duarte, dado que não acrescentou nada de novo face ao que tinha dito na audição à porta fechada, em novembro passado, sobre o furto de material de guerra em Tancos ocorrido em junho de 2017 e recuperado em outubro do mesmo ano.

O CEME respondia aos deputados e depois de Ascenso Simões lhe ter pedido desculpa em nome do PS por o CDS ter divulgado posições assumidas pelo general na referida audição à porta fechada.

Note-se que o centrista João Rebelo justificou essa opção por não referir os aspetos que justificaram o pedido do CEME para ser ouvido à porta fechada.

Esta situação acabou por aquecer brevemente os ânimos, com Ascenso Simões a frisar que as respostas às questões formuladas pelos deputados do PSD e do CDS tinham sido dadas pessoalmente ou constavam dos documentos classificados já entregues pelo Exército ao Parlamento.

O deputado socialista lembrou que as responsáveis pela segurança interna e pelos serviços de informações já tinham dito esta manhã não haver quaisquer ameaças à segurança do país, ao contrário do que invocou o Ministério Público num recurso enviado em março ao tribunal para conseguir fazer escutas chumbadas pelo juiz de instrução criminal.

Ascenso Simões perguntou ainda se haveria algo de novo "que justifique uma comissão de inquérito" - como têm admitido o PSD e o CDS - num caso que o Parlamento está "a discutir há um ano"?

A verdade é que Bruno Vitorino (PSD) admitiu requerer a audição do primeiro-ministro em setembro para se perceber porque é que os governantes e o próprio CEME disseram em outubro que o material furtado em Tancos tinha sido todo recuperado quando, hoje, o general dizia não poder dar garantias sobre isso.

As quase duas horas desta terceira audição do CEME sobre o caso de Tancos terminaram com o pedido de palavra do deputado Pedro Roque (PSD), no meio da acalorada troca de palavras, para "desejar boas férias" a todos os presentes.

Seguiram-se risos, cadeiras arrastadas, sorrisos e abraços.

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