Montenegro acusa Rio de "medo" e de "falta de coragem"

No final de uma audiência com o Presidente da República, Luís Montenegro acusou Rui Rio de, ao recusar diretas, ter revelado "falta de coragem" e "medo de ouvir a voz dos militantes"

O PSD "ainda vai a tempo de inverter" a sua situação, há condições para se realizarem eleições diretas já e é isso aliás que os militantes "preferem", disse hoje o ex-líder parlamentar 'laranja' depois de uma audiência de cerca de 45 minutos, em Belém, com o Presidente da República, a seu pedido.

Luís Montenegro respondeu assim à recusa de Rui Rio em fazer o partido avançar para um processo eleitoral interno geral de disputa da liderança. Ao desafio de Montenegro, Rio contrapôs a realização de uma reunião do Conselho Nacional (CN) do PSD - já convocada para quinta-feira - na qual levará a votos uma moção de confiança à direção do partido.

Para Montenegro, só eleições diretas, para as quais seriam convocados todos os militantes, teriam um "efeito pleno" de clarificação da situação dentro do partido.

"O Conselho Nacional não é a minha praia", "nunca tiveram nos meus propósitos moções de censura ou de confiança", acrescentou.

Para o ex-líder da bancada do PSD, a decisão de se candidatar e de desafiar Rio para 'diretas já', tem "dois enquadramentos": por um lado, passou um ano desde que Rio chegou à liderança do PSD e "o resultado é mau"; por outro, "o PSD ainda está a tempo de inverter a decisão".

Montenegro considerou ainda "um absurdo" que a sua decisão de avançar seja interpretada como um sinal de preocupação face ao processo de elaboração das listas de candidatos a deputados que o partido apresentará para as eleições legislativas de outubro próximo.

"Não estou preocupado com listas, nunca estive", disse, recordando que há um renunciou ao mandato de deputado. Segundo Montenegro, na verdade quem está preocupado com a questão das listas são muitos dos apoiantes de Rio.

O candidato recusou fazer previsões sobre o que acontecerá no CN - "não sei o que acontecerá" - mas assegurou que ele próprio continuará "obviamente" candidato a presidente do partido se aquele órgão se encaminhar para a convocação de diretas, na sequência de um eventual chumbo da moção de confiança que Rio levará a votos.

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