Marcelo: "Sou um otimista realista. Não sou um otimista irritante"

"Como será o país daqui a 20 anos?" À pergunta, o Presidente da República não hesitou em demarcar-se do "otimismo irritante", que em tempos atribuiu a António Costa

Marcelo Rebelo de Sousa perspetivou o futuro do país nas duas próximas décadas na celebração do 5.º aniversário do Observador. No seu "otimismo realista", numa entrevista em direto no Facebook, conduzida por José Manuel Fernandes, considerou que "daqui a 20 anos podemos ter um país muito melhor do que temos hoje", mas é preciso superar três problemas.

O primeiro é o problema que o país tem de ultrapassar, disse, é o do envelhecimento da população, que considera ser possível de ultrapassar através da imigração; as disparidades "que puxam o país para baixo", como as assimetrias pessoais e territoriais que "ainda são muito marcadas"; e a adaptação do trabalho às mudanças científica e tecnológica.

O inquilino de Belém nunca abordou a situação política nacional ou mencionou qualquer dos protagonistas, como é óbvio em plena época de campanha eleitoral para as europeias. Mas deixou ainda algumas indiretas sobre quem o criticou por não ter falado durante a crise dos professores, em que houve ameaça de demissão do governo. "Pensavam: 'deve estar doente por não chamar os partidos, por não falar da crise'. Foi precisamente o contrário", disse Marcelo. "É prematuro antecipar qualquer decisão minha, que só será tomada após um exercício de yoga e depois de deixar o corpo arrefecer".

"Temos condições para melhorar a qualidade do turismo, dos serviços", afirmou e salientou a necessidade de aproveitar bem as relações com ibero-americanas, com o mundo árabe e com o oriente.

Marcelo desvendou ainda um bocadinho o modo como decidiu conduzir o seu mandato em Belém, o que dividiu em duas partes. O primeiro ano, o da eleição em 2016, "intencionalmente" intenso com 10 programas por dia, e movido pelo momento que se vivia. "Metade do país não podia ver a outra metade. Foi intencional ir para o terreno para medir o pulso, entender e distender".

Tencionava abrandar em 2017, com a vinda do Papa a Portugal, mas foi aprisionado pelos acontecimentos. Primeiro a tragédia de Pedrógão, depois o caso do furto de armas em Tancos, e os incêndios de Outubro, que fizeram muitas vítimas. "Outra vez mais terreno, muito mais terreno, e o ano de 2017 acabou por ser ainda mais intenso do que tinha sido o anterior".

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