General Rovisco Duarte diz que não houve pressões

Antigo chefe do Estado-Maior do Exército responsabiliza comandos operacional e da Logística pelo mau estado da segurança nos paióis de Tancos.

O general Rovisco Duarte afirmou esta quarta-feira que não houve pressões do então ministro da Defesa Azeredo Lopes apóso furto de Tancos e que se demitiria se tivessem existido.

O militar, que falava perante a comissão parlamentar de inquérito sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto de Tancos (em junho de 2018), foi taxativo em dizer ao PSD que não houve pressões.

"Não, nunca" sentiu pressões no exercício do cargo, afirmou de forma enfática. Mais, após a demissão do antecessor - Carlos Jerónimo - invocando pressões políticas de Azeredo Lopes e conhecendo o então governante o seu feitio, Rovisco Duarte disse não acreditar que o ex-ministro "voltasse a fazer o mesmo".

Rovisco Duarte, garantindo que a sua demissão "nada teve a ver com o caso de Tancos", afirmou que os comandos das Forças Terrestres e da Logística "são responsáveis" pelo estado de insegurança a que chegaram os paióis, pois "não deram sequência aos alertas e não providenciaram o alerta ao comando" do Exército.

Respondendo de forma lacónica "não" quando questionado se confiava no comandante das Forças Terrestres (CFT), tenente-general Faria Menezes, Rovisco Duarte justificou a demissão dos cinco comandantes das unidades responsáveis pela segurança dos paióis com a necessidade de "abanar o Exército".

O ex-CEME explicou ter dito numa conversa com o CFT após o furto que estava a pensar exonerar apenas três dos comandantes, tendo sido Faria Menezes a falar nos cinco que tinham responsabilidades diretas.

O general precisou ainda que a sua demissão, a seis meses do fim do mandato, esteve relacionada com a saída do ministro da Defesa - dado colocar fim ao trabalho de equipa desenvolvido - e por discordar da proposta de modernização das Forças Armadas que já tinha sido aprovada e contra a qual votara.

"Já não seria útil para o processo de modernidade" do ramo face ao teor de uma Lei de Programação Militar (LPM) com a qual discordou e contra a qual votou também em Conselho Superior Militar e no Conselho Superior de Defesa Nacional.

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