Constâncio diz que não tinha poder para anular crédito a Berardo

Antigo governador garante que crédito da Caixa já estava assinado quando a decisão chegou ao Banco de Portugal e que não tinha competência para o anular

O antigo governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, negou hoje ter omitido na Assembleia da República (AR) um aval da administração que liderou ao polémico empréstimo concedido pela Caixa Geral de Depósitos ao empresário Joe berardo. Num esclarecimento enviado ao DN, Constâncio defende que a operação de crédito em causa "já estava assinada" quando o BdP foi chamado a pronunciar-se e que aquela instituição não tinha competência para a anular.

"Relativamente à notícia de hoje segundo a qual eu teria omitido informações à AR e teria participado, enquanto membro do Conselho de Administração do Banco de Portugal, na autorização de uma operação de crédito concedida pela Caixa Geral de Depósitos ao Grupo Berardo, dou o seguinte esclarecimento. Ambas as coisas são falsas", começou por dizer.

"O Banco de Portugal apenas teve de não objetar a que o referido Grupo ultrapassasse a percentagem de 5% que o caracterizaria como acionista qualificado do BCP", defendeu." Quando essa decisão foi tomada já estava assinada a operação de crédito pela CGD e, como expliquei corretamente na Assembleia da República, o Banco de Portugal não tem competência para ter conhecimento de operações de crédito antes de serem decididas pelos Bancos nem muito menos competência para as mandar anular"justificou. "Foi o que esclareci na AR onde não se abordaram questões sobre autorização de participações qualificadas, pelo que nada foi omitido da minha parte".

O parlamento aprovou hoje uma nova chamada do antigo governador do Banco de Portugal à Assembleia da República, depois de ter sido noticiado que a administração liderada por Constâncio deu o seu aval ao crédito concedido ao empresário. Numa anterior audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da CGD, que teve lugar a 28 de março, Constâncio defendeu - quando questionado pelo deputado do PSD Duarte marques - que pessoalmente "não teria feito essas operações", que passaram pela concessão de crédito contra ações, mas que as mesmas "foram legais".

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