António Costa:"Nunca direi que só governo nesta ou naquela situação"

Primeiro-ministro diz que não pode aceitar leitura do BE e PCP sobre esta legislatura: "a força dominante desta solução governativa foi o PS".

Como foi a experiência da geringonça? Satisfatória, boa ou ótima? "Foi bom", respondeu esta manhã o primeiro-ministro, António Costa, aos microfones da Rádio Renascença. Se é para renovar ou não, Costa não foi explícito. E, admitindo que "só em circunstâncias muito excecionais é possível ter maioria absoluta" em Portugal, também foi dizendo que "qualquer partido tem a ambição de ter o melhor resultado possível". Mas a decisão cabe aos eleitores:"Nunca farei chantagem com os portugueses dizendo que só governo nesta ou naquela situação".

Costa ainda voltou à geringonça para dizer que, quer Catarina Martins, quer Jerónimo de Sousa têm vindo a argumentar que tudo o que foi feito de bom nesta legislatura foi graças aos seus partido - "Não retribuo, mas não posso aceitar esta leitura. A força dominante desta solução governativa foi o PS".

Questionado sobre os problemas no Sistema Nacional de Saúde (SNS), Costa defendeu que "hoje a situação é francamente melhor" do que em 2015, alegando que houve mais 700 mil consultas e 16 mil cirurgias em comparação com o período anterior e que o SNS tem hoje mais 11 mil profissionais. Mas fez questão de apontar situações que não beneficiam o SNS - "Não posso controlar os efeitos das greves. Temos tido um número de greves bastante significativo na Saúde".

Quanto a uma eventual descida dos impostos na próxima legislatura, o líder do Executivo afirmou que tenciona "prosseguir a trajetória de diminuição de impostos sobre o trabalho", argumentando que os "portugueses pagaram menos 1000 milhões de euros " no IRS este ano. O primeiro-ministro defendeu também que os salários médios dos portugueses "estão muito aquém daquilo que têm de estar", defendendo que o Estado "deve dar o exemplo".

Sobre o caso do roubo de Tancos, que levou a que o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes fosse constituído arguido, António Costa reafirmou que não tem a "menor dúvida" de que antigo titular da Defesa "não cometeu qualquer ilegalidade". "Ser arguido não significa sequer ser acusado, quanto mais culpado", disse o primeiro-ministro, reiterando uma "confiança política total" em Azeredo Lopes.

Numa referência a notícias que deram conta de que o seu filho, Pedro Costa, contratou três amigos como assessores, Costa foi questionado se esta é uma tradição socialista. "Não, não acho que seja uma tradição. Também não é tradição eu comentar a atividade do meu filho, que já é maior e vacinado".

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