Geringonça. Bloco acusa Costa de estar "nervoso"

Líder socialista disse que a geringonça se fez "apesar do Bloco de Esquerda". E o dirigente bloquista José Manuel Pureza acusou António Costa de, para "conseguir maioria absoluta ao centro, reescrever a História à esquerda".

Depois de António Costa ter dito que a geringonça se fez "apesar do Bloco de Esquerda", o dirigente bloquista José Manuel Pureza carregou nas tintas, na sua página do Facebook, acusando o secretário-geral do PS de estar "nervoso".

Para o ainda vice-presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro socialista recuperou a "rábula dos empecilhos" mas numa "versão hard core", referindo-se à intervenção recente no Parlamento, em 11 de setembro, do deputado do PS Carlos Pereira, que disse que os socialistas querem "mesmo" poder "governar sem empecilhos".

Segundo José Manuel Pureza, a declaração de António Costa - numa entrevista ao podcast de Daniel Oliveira, Perguntar Não Ofende - é "para tentar conseguir uma maioria absoluta ao centro, até se reescreve a História à esquerda". Para o bloquista, é antes um "sinal claro de nervoso". "E de outras coisas", acrescenta.

António Costa recusou que o BE tenha tido um papel central na forma como se definiu a geringonça em 2015. Nesse ano, num debate com o socialista, Catarina Martins avançou com um conjunto de condições e de linhas vermelhas para um entendimento entre os dois partidos.

À recordação agora, Costa sacode esta ideia: "Vamos ser claros: esta solução foi construída apesar do Bloco de Esquerda, e a que depois o Bloco de Esquerda se juntou. Esta é a realidade dos factos." É por causa disto que José Manuel Pureza se atira a António Costa.

Na entrevista ao Perguntar Não Ofende, António Costa reitera que "mantém a vontade" de se entender à esquerda. Em 2015, "as vontades foram-se construindo", notou o socialista, antecipando a resposta que causou a reação bloquista. "Convém ouvir o que cada um disse na noite das eleições e nos dias seguintes, para perceber quem disse o quê no momento certo e quem disse o quê mais tarde."

Costa lembrou a posição dos socialistas que não seria "minoria de bloqueio", que o PCP disse que "só não haverá governo PS se o PS não quiser" e que o Bloco adiou uma reunião na segunda-feira depois das eleições para pensar no "novo quadro político". "E foi assim que se foi construindo esta solução."

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