Costa, o "otimista irritante" faz apelo à mobilização. Não vá o diabo tecê-las

Nada nos garante que, com tanto medo do diabo, não façam isto tudo andar para trás", disparou o secretário-geral do PS. "Connosco o diabo não vem, mas connosco o país não volta a andar para trás." Socialistas estiveram no Algarve.

À entrada da cidade de Loulé, num largo cartaz colocado numa rotunda, António Costa diz que é o voto de cada um que decide. Esta quarta-feira à noite, num comício do PS ao ar livre, na Cerca do Convento do Espírito Santo, nesta cidade algarvia, António Costa não fugiu a este guião e insistiu na mobilização do partido para 6 de outubro.

Nada está ganho e o país não pode andar para trás, avisou a fechar o seu discurso. "Nós conhecemos bem aqueles que diziam que nada disto era possível, porque fazendo tudo isto vinha aí o diabo. Nada nos garante que, com tanto medo do diabo, não façam isto tudo andar para trás", disparou o secretário-geral do PS. "Connosco o diabo não vem, mas connosco o país não volta a andar para trás."

O diabo é os passes sociais, exemplificou Costa, ao recordar que o líder do PSD dizia que a redução dos preços "era um benefício que só existia para os lisboetas e portuenses". "É falso! É para todas as comunidades intermunicipais", como no Algarve, onde o passe único para a região custa hoje 40 euros (CP incluída). "Não, dr. Rui Rio, Portimão, Faro, Lagos, Tunes e Vila Real de Santo António não estão em Lisboa e Porto e têm direito aos passes sociais!"

O diabo é o aumento dos impostos ou os cortes das pensões, insistiu Costa. E para evitar que ele venha com os outros, o líder socialista insistiu na necessidade de "dar mais força ao PS" - a fórmula que António Costa usa para evitar a expressão proibida de "maioria absoluta". E numa região com muitos turistas, lá veio o exemplo do "país vizinho", que o socialista não quer ver em Portugal: "A Espanha já vai para a quarta eleição em quatro anos porque não é capaz de assegurar estabilidade". A conclusão a tirar é o voto que está escrito à entrada da cidade.

"As eleições não se perdem nem se ganham em sondagens, só se ganham nas urnas", apontou. E as opções são a estabilidade ou o diabo. "Quem quer mais quatro anos de estabilidade de um governo do PS, vota no PS. Quem não quer, tem uma grande liberdade de escolha - é isso que é a democracia."

Em terras do "algarvio" das "contas certas", que é Mário Centeno, como lembraram Vitor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, e Jamila Madeira, a cabeça-de-lista do PS pelo Algarve, o diabo entrou na noite pela mão de Nuno Júdice, escritor e poeta, que também lembrou que anunciaram a sua vinda, mas que ele "prevenido" fugiu. E Júdice deixou um pedido a Costa, ele que transformou o "país do desalento e da descrença" numa "sociedade otimista": "Que continue a ser um otimista irritante."

Costa prometeu que vai continuar a ser: "Temos de continuar irritantemente otimistas, porque há mais e melhor para fazer. Nós não estamos acomodados com o que já conseguimos alcançar. Nós não estamos aqui para festejar o que fizemos. Estamos aqui porque temos mesmo vontade de seguir em frente e de fazer o que ainda não está feito", defendeu. Não vá o diabo tecê-las, já se sabe.

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