Costa apresenta 50 secretários de Estado. Governo tem 70 membros

Primeiro-ministro entregou ao Presidente da República a lista completa dos secretários de Estado. Governo está completo, mas posse continua dependente da decisão do Tribunal Constitucional sobre reclamação do PSD.

O primeiro-ministro já deixou nas mãos do Presidente da República a lista completa dos secretários de Estado, completando assim a composição do XXII Governo Constitucional, numa reunião iniciada às 11.00 desta segunda-feira.

António Costa apresentou uma equipa de 50 secretários de Estado, segundo o site da Presidência da República. Eram 42 no executivo anterior. Somando o primeiro-ministro, os ministros e secretários de Estado já conhecidos, o Governo tem um total de 70 membros. No total dos adjuntos dos ministros, há 32 homens e 18 mulheres.

Em matéria de paridade, nos secretários de Estado, o executivo de António Costa cumpre os mínimos: 64% de homens, 36% de mulheres. Por exemplo, Mário Centeno tem agora um gabinete exclusivamente masculino. Já Santos Silva conta com três mulheres à frente das secretarias de Estado, mantendo apenas Eurico Brilhante Dias na ​​​​​​Internacionalização (antes também tinha José Luís Carneiro, nas Comunidades Portuguesas, agora substituído por Berta Nunes, antiga autarca de Alfândega da Fé).

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu esta segunda-feira António Costa, a pedido deste. Belém deu a conhecer que o Presidente da República deu o seu assentimento à proposta. A nomeação e posse do XXII Governo Constitucional aguarda agora a decisão do Tribunal Constitucional, que analisa o recurso do PSD sobre a contagem dos votos da emigração, mas Marcelo aponta para esta semana.

Segundo a nota da Presidência, "o Presidente da República deu o seu assentimento esta proposta. A nomeação e posse de todo o XXII Governo Constitucional estão previstas para esta semana, em data a determinar, depois da publicação do mapa oficial das eleições e da primeira reunião da nova legislatura da Assembleia da República".

Na última quinta-feira, os sociais-democratas pediram a revisão da contagem dos votos dos círculos da Europa e Fora da Europa, alegando que os votos que não chegaram acompanhados de uma fotocópia do cartão de cidadão foram indevidamente contabilizados como nulos, quando deveriam ser contabilizados na abstenção.

A lista completa do XXII Governo Constitucional é a seguinte:

Primeiro-Ministro

António Costa

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares

Duarte Cordeiro

Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro

Tiago Antunes

Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital

Pedro Siza Vieira

Secretário de Estado Adjunto e da Economia

João Neves

Secretária de Estado do Turismo

Rita Marques

Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor

João Torres

Secretário de Estado para a Transição Digital

André de Aragão Azevedo

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Augusto Santos Silva

Secretária de Estado dos Assuntos Europeus

Ana Paula Zacarias

Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação

Teresa Ribeiro

Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas

Berta Ferreira Milheiro Nunes

Secretário de Estado da Internacionalização

Eurico Jorge Nogueira Leite Brilhante Dias

Ministra de Estado e da Presidência

Mariana Vieira da Silva

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros

André Moz Caldas

Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade

Rosa Monteiro

Secretária de Estado para a Integração e as Migrações

Cláudia Pereira

Ministro de Estado e das Finanças

Mário Centeno

Secretário de Estado Adjunto e das Finanças

Ricardo Mourinho Félix

Secretário de Estado do Orçamento

João Leão

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

António Mendonça Mendes

Secretário de Estado do Tesouro

Álvaro Novo

Ministro da Defesa Nacional

João Gomes Cravinho

Secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional

Jorge Seguro Sanches

Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes

Catarina Sarmento Castro

Ministro da Administração Interna

Eduardo Cabrita

Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna

Antero Luís

Secretária de Estado da Administração Interna

Patrícia Gaspar

Ministra da Justiça

Francisca Van Dunem

Secretário de Estado Adjunto e da Justiça

Mário Belo Morgado

Secretária de Estado da Justiça

Anabela Pedroso

Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública

Alexandra Leitão

Secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa

Maria de Fátima de Jesus Fonseca

Secretário de Estado da Administração Pública

José Couto

Secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local

Jorge Botelho

Ministro do Planeamento

Nelson Souza

Secretário de Estado do Planeamento

José Gomes Mendes

Ministra da Cultura

Graça Fonseca

Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural

Ângela Carvalho Ferreira

Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media

Nuno Artur Silva

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Manuel Heitor

Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

João Sobrinho Teixeira

Ministro da Educação

Tiago Brandão Rodrigues

Secretário de Estado Adjunto e da Educação

João Costa

Secretária de Estado da Educação

Susana Amador

Secretário de Estado da Juventude e Desporto

João Paulo Rebelo

Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

Ana Mendes Godinho

Secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional

Miguel Filipe Pardal Cabrita

Secretário de Estado da Segurança Social

Gabriel Gameiro Rodrigues Bastos

Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência

Ana Sofia Antunes

Secretária de Estado da Inclusão e Ação Social

Rita da Cunha Mendes

Ministra da Saúde

Marta Temido

Secretária de Estado Adjunta da Saúde

Jamila Madeira

Secretário de Estado da Saúde

António Lacerda Sales

Ministro do Ambiente e da Ação Climática

João Pedro Matos Fernandes

Secretário de Estado Adjunto e da Energia

João Saldanha de Azevedo Galamba

Secretária de Estado do Ambiente

Inês dos Santos Costa

Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território

João Paulo Marçal Lopes Catarino

Secretário de Estado da Mobilidade

Eduardo Nuno Rodrigues e Pinheiro

Ministro das Infraestruturas e da Habitação

Pedro Nuno Santos

Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações

Alberto Souto de Miranda

Secretário de Estado das Infraestruturas

Jorge Delgado

Secretário de Estado da Habitação

Ana Pinho

Ministra da Coesão Territorial

Ana Abrunhosa

Secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional

Carlos Soares Miguel

Secretária de Estado da Valorização do Interior

Isabel Ferreira

Ministra da Agricultura

Maria do Céu Albuquerque

Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural

Nuno Tiago dos Santos Russo

Ministro do Mar

Ricardo Serrão Santos

Secretário de Estado das Pescas

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Há 30 anos exatos, Berlim deixou de ser uma ilha. Vou hoje contar uma história pessoal desse tempo muralhado e insular, num dos mais estimulantes períodos da minha vida. A primeira cena decorre em dezembro de 1972, no Sanatório das Penhas da Saúde, já em decadência. Com 15 anos acabados de fazer, integro um grupo de jovens que vão treinar na neve abundante da serra da Estrela o que aprenderam na teoria sobre escalada na neve e no gelo. A narrativa de um alpinista alemão, dos anos 1920 e 1930, sobre a dureza das altas montanhas, que tirou a vida a muitos dos seus companheiros, causou-me uma forte impressão. A segunda cena decorre em abril de 1988, nos primeiros dias da minha estada em Berlim, no árduo processo de elaboração de uma tese de doutoramento sobre Kant. Tenho o acesso às bibliotecas da Universidade Livre e um quarto alugado numa zona central, na Motzstrasse. Uma rua parcialmente poupada pela Segunda Guerra Mundial, e onde foram filmadas em 1931 algumas das cenas do filme Emílio e os Detectives, baseado no livro de Erich Kästner (1899-1974).Quase ao lado da "minha" casa, viveu Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da antroposofia. Foi o meu amigo, filósofo e ecologista, Frieder Otto Wolf, quem me recomendou à família que me acolhe. A concentração no estudo obriga a levantar-me cedo e a voltar tarde a casa. Contudo, no primeiro fim de semana almoço com os meus anfitriões. Os dois adolescentes da família, o Boris e o Philipp, perguntam-me sobre Portugal. Falo no mar, nas praias, e nas montanhas. Arrábida, Sintra, Estrela... O Philipp, distraidamente, diz-me que o seu avô também gostava de montanhas. Cinco minutos depois, chego à conclusão de que estou na casa da filha e dos netos de Paul Bauer (1896-1990), o autor dos textos que me impressionaram em 1972. Eles ficam surpreendidos por eu saber da sua existência. E eu admirado por ele ainda se encontrar vivo. Paul Bauer foi, provavelmente, o maior alpinista alemão de todos os tempos, e um dos pioneiros das grandes montanhas dos Himalaias acima dos 8000 metros. Contudo, não teria êxito em nenhuma das duas grandes montanhas a que almejou. As expedições que chefiou, em 1929 e 1931, ao pico de 8568 metros do Kanchenjunga (hoje, na fronteira entre a Índia e o Nepal) terminaram em perdas humanas. Do mesmo modo, o Nanga Parbat, com os seus 8112 m, seria objeto de várias expedições germânicas marcadas pela tragédia. Dez mortos na expedição chefiada por Willy Merkl, em 1934, e 16 mortos numa avalancha, na primeira expedição comandada por Paul Bauer a essa montanha paquistanesa em 1937. A valentia dos alpinistas alemães não poderia substituir a tecnologia de apoio à escalada que só os anos 50 trariam. Bauer simboliza, à sua maneira, esse culto germânico da vontade, que tanto pode ser admirável, como já foi terrível para a Alemanha, a Europa e o mundo. Este meu longo encontro e convívio com a família de Paul Bauer, roça o inverosímil. Mas a realidade gosta de troçar do cálculo das probabilidades.