Costa afirma que percebe e respeita decisão de Carlos César abandonar o parlamento

O líder socialista disse que o PS poderá contar com Carlos César como presidente do partido.

O primeiro-ministro afirmou hoje que percebe e respeita a decisão de Carlos César de abandonar o parlamento na próxima legislatura e disse que a "determinação" do líder da bancada socialista venceu o seu otimismo.

Falando no jantar de fim da legislatura da bancada do PS e logo após Carlos César ter anunciado que não se recandidataria ao lugar de deputado nas próximas eleições legislativas, António Costa discursou para destacar a "determinação" como uma das "grandes qualidades" do seu líder parlamentar.

"Ao longo destes quatro anos tivemos sempre a mesma conversa e, apesar de o meu otimismo nunca me ter permitido desistir da insistência, a verdade é que a determinação de Carlos César venceu o meu otimismo".

"Percebo muito bem, respeito como camarada e amigo a decisão que o Carlos César tomou. E queria agradecer-lhe, pois lembro-me bem como nos desafiámos mutuamente para sairmos das nossas zonas de conforto. Eu, para ser secretário-geral do PS. Ele para regressar à vida política ativa", afirmou.

António Costa contou depois que conhece pessoalmente Carlos César desde 1976 e que desde essa altura construíram os dois "uma bela amizade que, não só não envelheceu, como se foi fortalecendo ao longo dos anos".

"Sempre tive uma enorme admiração por Carlos César, sobretudo pela sua assertividade. Os Açores são hoje um dos grandes bastiões do PS", comentou, num jantar em que esteve presente o presidente do Governo Regional açoriano, Vasco Cordeiro.

O líder socialista salientou a seguir que o PS poderá contar com Carlos César como presidente do partido.

"Por isso, não é uma retirada da política, ainda que seja uma retirada da Assembleia da República. Tenho a certeza de que estes quatro anos não teriam sido possíveis sem o conselho, a palavra, o aviso e a atenção do Carlos César", considerou.

Na sua intervenção, António Costa agradeceu ainda o apoio que lhe foi dado ao seu Governo pela bancada socialista ao longo dos quatro anos, alegando que a alternativa de executivo "deve-se indiscutivelmente em primeiro lugar ao PS".

No seu breve discurso, António Costa voltou a elogiar a ação de Ferro Rodrigues como presidente da Assembleia da República, apontando que a sua eleição para o cargo foi o primeiro "grande momento" da legislatura da atual maioria de esquerda.

Na primeira intervenção do jantar, o presidente da Assembleia da República, agradeceu ao líder parlamentar do PS, Carlos César, e ao secretário-geral socialista, António Costa, a sua eleição para o cargo que ocupa desde 23 de outubro de 2015.

A formação da atual maioria política, segundo Ferro Rodrigues, constituiu "um momento importante para a democracia, porque passou a haver uma alternativa de governação", mas também para a própria "estabilidade política em Portugal".

Ferro Rodrigues elogiou também o Governo "pela sua enorme realização em matéria social", assim como os resultados das finanças públicas, com as obrigações de Portugal a dez anos a situarem-se na casa dos 0,5%.

"Há aqui capacidade do nosso ministro [das Finanças] Mário Centeno. Um dos governos mais à esquerda da Europa é um dos que goza de maior confiança por parte dos mercados internacionais", disse.

O presidente da Assembleia da República, que tinha acabado de regressar de uma visita oficial a Angola, fez também questão de se referir ao novo quadro diplomático luso-angolano.

"Tenho 52 anos de vida política e fui pela primeira vez a Angola. Antes, por motivos políticos, recusava-me a ir a Angola", acrescentou.

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