Centeno é um campeão, mas o passe "não está à venda", diz Costa

Socialistas arrancam com comício em Lisboa, onde o ministro das Finanças foi estrela e puxou dos galões da sua governação. Portugal lidera a Europa, até o Eurogrupo, disse sem qualquer imodéstia.

António Costa jogou para mais quatro anos de estabilidade, porque "só o PS garantirá mais quatro anos de estabilidade", que trarão "tranquilidade" e "credibilidade" - mas sempre sem se referir à maioria absoluta. O secretário-geral socialista pediu apenas "mais força" para o partido nas eleições legislativas de 6 de outubro.

No primeiro grande comício no arranque desta campanha eleitoral, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, o secretário-geral do PS insistiu no discurso das "contas certas", que tem um rosto, o de Mário Centeno, ministro das Finanças, que há quatro anos foi recebido por muitos com "enorme desconfiança" (palavra de Costa), mas que agora é cobiçado "por todos".

"Que bom é ver quatro anos depois todos quererem ter o seu Centeno. Já há quatro anos devíamos ter desconfiado, porque quem desdenha quer comprar", atirou, ignorando o desafio do líder do PSD, Rui Rio, para um debate de "centenos": Mário Centeno, o próprio, e Joaquim Miranda Sarmento, o homem das contas dos sociais-democratas.

Esticando o jogo, Costa ainda se lembrou do ex-ministro das Finanças alemão. "O sr. Schauble pode achar que ele [Mário Centeno] é o Ronaldo, só que o seu passe não está à venda."

Já antes o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, tinha feito a síntese futebolística: "O nosso grande ministro é uma mistura do CR7 e do Messi porque tem marcado muitos golos e tem dado muito jogo para outros marcarem."

Num pavilhão com nome de campeão, como fez questão de sublinhar, Mário Centeno também só jogou ao ataque e apresentou-se como um campeão, sem qualquer ponta de modéstia. "Bem-vindos ao pavilhão que tem o nome de um enorme campeão português, Carlos Lopes, e bem-vindos ao Portugal que é campeão do crescimento, do emprego de qualidade e do bem-estar. Bem-vindos ao Portugal que não convida jovens a emigrar, ao Portugal que PSD e CDS desconhecem e, mais grave, negam", atirou sem rodeios.

Com o pavilhão cheio, Centeno puxou dos resultados do INE, anunciados na segunda-feira, para melhor sublinhar "o Portugal de sucesso" (um slogan que volta e meia governos gostam de recuperar, de Cavaco a Sócrates, de Santana a Costa). "Portugal ultrapassou cinco países na lista que a direita utiliza para desvalorizar as conquistas dos portugueses. Portugal cresceu mais do que Espanha em 2017 e 2018 e está a crescer mais também em 2019. Somos uma economia mais forte, com contas públicas certas e equilibradas."

Num campeonato europeu, o ministro que é também presidente do Eurogrupo notou que o país está onde deve estar "na Europa - e hoje lideramos a Europa". "E já agora, sim, no Eurogrupo", disse por entre aplausos e risos.

Os números do INE, que "têm mesmo a ver com a vida das pessoas", também foram uma carta na manga de Costa. "Os portugueses deixaram de recear cortes de salários ou de pensões e deixaram de recear enormes aumentos de impostos. Foram estas condições que nos permitiram cumprir os objetivos de assegurar mais crescimento, mais e melhor emprego e redução para metade da taxa de desemprego."

"Quando o INE anunciou na segunda-feira o crescimento da economia portuguesa neste primeiro semestre, ficou-se a saber que, aconteça o que aconteça neste segundo semestre, Portugal crescerá este ano acima dos 2%, o que significa que, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, pelo terceiro ano consecutivo, os pensionistas vão ter direito a uma atualização das pensões acima da taxa de inflação."

Ferro Rodrigues pediu uma "votação clara e robusta" no PS para que o partido consiga governar sem crises políticas, ao lembrar que Costa "atirou o governo do PSD e CDS-PP abaixo só porque tinha uma alternativa, não atirou abaixo por bota-abaixismo, porque nessa altura já tinha uma alternativa construída com outras forças partidárias".

O ainda presidente da Assembleia da República, que é de novo candidato a deputado, notou que, durante a campanha eleitoral, "é normal a demarcação entre partidos". Mas contrapôs também ele: "O que não acho tão normal é muitas vezes os excessos e a agressividade." Mas a esquerda não ficou totalmente com as orelhas a arder. "Há quatro anos passaram-se coisas muito piores e isso não impediu o entendimento."

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