Centeno diz que tempo dos professores na íntegra seria "uma caixa de pandora"

O ministro das Finanças disse esta terça-feira no parlamento que contar todo o tempo de serviço dos professores representaria "o maior aumento de despesa desta legislatura" e iria abrir "uma caixa de Pandora" sobre a recuperação do passado nas carreiras.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, foi ouvido pela comissão parlamentar de Educação e Ciência a pedido do PS, que requereu a presença do ministro para que este explicasse os números certos do custo da contagem do tempo de serviço congelado aos professores, não apenas no que diz respeito às propostas que o Governo já aprovou, mas também às reivindicações sindicais de contagem integral, apoiadas pela maioria dos partidos, incluindo o PSD, que tem força parlamentar para, em conjunto com a esquerda, por exemplo, forçar a aprovação de uma proposta que conte todo o tempo.

E foi sobretudo para o PSD que Mário Centeno hoje falou, acusando o partido de apresentar uma proposta de alteração ao decreto do Governo que viola a norma-travão do aumento da despesa orçamentada, o que seria inconstitucional, e de propor um aumento de despesa permanente, ao considerar a contagem integral do tempo de serviço, que o país não tem condições para pagar.

"O cumprimento da regra da despesa é incompatível com esta medida se não forem revelados quais vão ser os aumentos de impostos ou qual a despesa que vai ser cortada. [...] Os senhores deputados farão exatamente aquilo que a sua consciência considerar, mas de uma coisa, senhores deputados, não se livram, cinismo e demagogia é o que está nessa proposta", disse Centeno aos deputados, a dois dias de a comissão parlamentar apreciar e votar as propostas de alteração à contagem do tempo de serviço, que vão no sentido de considerar os nove anos, quatro meses e dois dias.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.