CDS-Madeira quer vice-presidência e liderar o Parlamento regional

No dia seguinte às eleições que ditaram o fim da maioria absoluta do PSD regional, o CDS faz valer os seus três deputados que fazem falta aos sociais-democratas. Para além de propostas do programa, há lugares em jogo.

Rui Barreto, líder do CDS, disse que quer negociar um futuro governo de coligação com Miguel Albuquerque e tratou de anunciar que o caderno de encargos para o presidente social-democrata era o seu programa eleitoral. E o número 2 centrista, José Manuel Rodrigues, sublinhou que o partido quer uma vice-presidência no Governo e que ele próprio está disponível para ser presidente da Assembleia Legislativa da Madeira.

Recusando acordos de incidência parlamentar e as lógicas da "mercearia eleitoral", José Manuel Rodrigues - que já foi líder do CDS regional - sublinhou, num debate na TSF-Madeira - que o partido "fará no dia a seguir às eleições aquilo que o povo queria no dia das eleições". "O CDS não vai para o Governo a qualquer custo", apontou o centrista, mas reiterando a disponibilidade do CDS para coligar-se com o PSD.

Rui Barreto apresentou na noite de domingo, de acordo com José Manuel Rodrigues, o tal caderno de encargos que vai levar ao PSD para formar governo: entendimentos fiscais, alteração da gestão no setor da saúde, para responder às necessidades da população; introduzir um terceiro operador na linha aérea; maior investimento na recuperação de canais de rega; e maior aposta na formação profissional.

No referido debate, em que participaram ainda Miguel de Sousa, deputado e dirigente social-democrata, e Miguel Silva Gouveia, socialista e o sucessor de Paulo Cafôfo na Câmara do Funchal, José Manuel Rodrigues estava muito satisfeito no seu lugar de partido-charneira (os seus três deputados somados aos 21 do PSD fazem uma maioria do centro-direita), apesar da pesada derrota nas urnas (passou de sete para três deputados, perdendo quase metade dos votos). "O CDS é o noivo mais pretendido desta noite."

Também Miguel Albuquerque mostrou disponibilidade do PSD para formar um governo de coligação, mas no debate da TSF regional, Miguel de Sousa deixou a hipótese de um governo minoritário. "Vamos lá ver se [o PSD] consegue continuar a governar a bem da Madeira como tem conseguido até aqui", alertou. Para logo dizer que pode recusar deixar condicionar-se pelos centristas. "Pode até ser com um governo minoritário, pode haver um governo minoritário, com apoios aqui e acolá", defendeu.

Os socialistas não fecham a porta ao CDS, nem ao Juntos Pelo Povo (um partido nascido a partir de um movimento independente de cidadãos no concelho de Santa Cruz e que contava com o apoio centrista e socialista, no seu início). O cabeça de lista do PS, Paulo Cafôfo, já o disse na noite eleitoral, desafiando todos os partidos a juntarem-se num executivo contra o PSD. Uma geringonça madeirense, que o CDS recusou no domingo e a que a CDU responde esta segunda-feira à tarde.

O socialista Miguel Silva Gouveia lembrou entendimentos regionais "no passado, que podem eventualmente a voltar a acontecer". E ainda em julho passado, Rui Barreto dizia ao Público que o PS também poderia ser uma possibilidade para entendimento. "Os acordos de incidência são coisas híbridas, e nisto ou estamos dentro ou estamos fora", argumentava, avisando que o CDS só estará disponível para um acordo de coligação. Ao lembrar que ideologicamente, desde a fundação do partido em 1974, que os centristas estão mais próximos do PSD, Barreto não fechava à partida um eventual acordo de governo com os socialistas. "Será sim, necessário um maior esforço de aproximação", dizia então o líder do CDS. Mas a líder nacional do partido, Assunção Cristas, mandou arrepiar caminho a esta disponibilidade.

Neste caso, os deputados centristas não chegariam e era necessário juntar o JPP. O seu líder, Élvio Sousa, disse ontem que não era o momento para falar dessa possibilidade, mas avisou que "o JPP não vai carregar nenhum partido às costas". Todos os cenários, disse, passarão sempre por consultar primeiro "a população e os órgãos do partido".

O representante da República, Ireneu Cabral Barreto, convidará agora o PSD a formar Governo. Mas para já adivinham-se dias de intensas negociações entre sociais-democratas e centristas para um novo governo na Madeira. Será o primeiro executivo que não será apenas de uma só cor, o laranja do PSD, desde o 25 de Abril.

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