Catarina com apelo ao voto útil. "Não estamos condenados a escolher mais do mesmo"

Bloco aposta forte na eleição de um deputado no círculo de Viseu. O partido promete reabrir serviços públicos no Interior. Mas admite: "Não seria sério reabrir todos os serviços que fecharam".

Catarina Martins lançou este domingo um forte apelo ao voto útil no Bloco de Esquerda, por oposição à reeleição de deputados que "cortaram pensões", "mandaram emigrar jovens", fizeram aprovar as leis das rendas, "que colocaram 25,5 milhões na banca enquanto cortaram por este país" ou que andaram "a atacar a escola pública".

Num "almoço do Interior", que reuniu cerca de 250 pessoas no claustro da Pousada de Viseu, a coordenadora do BE notou logo a abrir que "não estamos sempre condenados a escolher sempre mais do mesmo". No círculo eleitoral viseense, a aposta bloquista é alta: o Bloco acredita que é possível eleger a sua cabeça-de-lista, Bárbara Xavier, depois de nas eleições europeias o partido ter ultrapassado o CDS no distrito.

"A direita fez-nos o favor de mostrar que cada deputado que perder pode ser um deputado do BE."

Num discurso em que o PS foi mais poupado, Catarina Martins lembrou que "a direita fez-nos o favor de mostrar que cada deputado que perder pode ser um deputado do BE", apelando à mobilização do eleitorado no Interior do país. "O BE já não é um partido urbando", sintetizou o cabeça-de-lista de Bragança, Pedro Oliveira.

Para Catarina Martins, o Bloco de Esquerda já conhecido no país. E este é o partido de estabilidade, defendeu. "O BE tem sido a estabilidade do seu salário e da sua pensão", apontou a líder bloquista, enumerando outras conquistas que o BE conseguiu nos quatros anos de geringonça no Parlamento: a recuperação das pensões, o regime das longas carreiras contributivas, a defesa do Serviço Nacional da Saúde. "Não há ninguém que não saiba no país onde está no BE." A ideia é só uma: está ao lado destas pessoas, está do lado do país. "Nós gostamos muito deste país, queremos aqui viver."

Para as regiões mais desfavorecidas do país, Catarina apresentou as "três propostas muito concretas" que os bloquistas têm no seu programa eleitoral: a reabertura dos serviços públicos, um "plano ferroviário para todo o país", que ligue todos os distritos e "uma nova política para o território".

"Não temos de nos resignar a um país que vai ficando sem justiça, sem saúde e sem educação."

Com quatro anos de entendimento parlamentar com o Governo socialista, o BE é hoje um partido que admite que não se pode repor tudo. "Não seria sério reabrir todos os serviços que fecharam", notou, apelando a uma "articulação" com populações e autarquias para a "reabertura dos serviços públicos no território". "Não temos de nos resignar a um país que vai ficando sem justiça, sem saúde e sem educação", apontou. Onde não há concessão alguma é na recuperação do controlo público dos Correios.

Recordando que se fecham serviços públicos por causa do despovoamento, a líder bloquista notou que "é preciso contrariar essa lógica", para que o Interior possa chamar mais gente.

"Vamos fazer acontecer. Eleger a Bárbara Xavier em Viseu é fazer história."

Antes da intervenção de Catarina Martins, falou cada um dos cabeças-de-lista dos distritos do Interior, de Bragança a Portalegre, passando por Vila Real, Guarda, Castelo Branco e Viseu. Bárbara Xavier, que o BE quer ver no Parlamento a 6 de outubro, lembrou que houve quem chamasse "utopia" à reivindicação do voto das mulheres ou ao casamento de pessoas do mesmo sexo. "Podem chamar utopia ao que quiserem, mas nós fizemo-lo acontecer", atirou.

Catarina Martins pegou na deixa. "Vamos fazer acontecer. Eleger a Bárbara Xavier em Viseu é fazer história." Naquele que em tempos foi o "cavaquistão", no mesmo local em que Passos Coelho fez campanha (no já longínquo 2013), os bloquistas acreditam.

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