As férias de Costa e Rio entraram ao barulho na greve dos camionistas

Primeiro-ministro e líder da oposição usaram as férias como arma de arremesso para se atacarem mutuamente nesta greve dos motoristas. Mas Rui Rio acusou erradamente António Costa de ter estado ausente durante os fogos de Pedrógão, em 2017

O primeiro-ministro usou o tom irónico de quem apanhou o opositor do PSD em contramão e disparou em tom suave depois de ter ouvido Rui Rio criticá-lo pela gestão da crise dos camionistas de matérias perigosas. Lembrou que o líder social-democrata esteve de férias durante os primeiros dias de paralisação e desejou que as concluísse com "felicidade". Rio não gostou do que ouviu e puxou do gatilho com mais violência.

"O que está aqui em causa neste caso era eu entrar ou não num circo mediático durante quatro ou cinco dias. Mas o que esteve em causa quando ele, pura e simplesmente, não interrompeu as férias foi a morte de mais de 60 pessoas", criticou Rio, numa referência ao incêndio em Pedrógão Grande, em 2017.

A contra-resposta veio do gabinete do primeiro-ministro que garantiu ao DN que as férias do líder do governo não coincidiram com o incêndio de 2017 em Pedrógão, que decorreu entre os dias 17 e 24 de junho daquele ano. "Em 17 de junho, o PM não estava de férias e no dia 18 estava reunido com os presidentes de câmara dos concelhos mais atingidos. Os da Sertã ou da Pampilhosa podem confirmá-lo", afirma uma fonte do gabinete de António Costa.

A mesma fonte garante que os deputados do PSD estiveram naquele dia com o chefe do governo quando visitou o posto de comando. "Nos dias seguintes coordenou os apoios de emergência e a preparação dos trabalhos de reconstrução. Esteve presente com o Presidente da República e o presidente da Assembleia da República e - a seu convite - todos os líderes partidários no primeiro funeral".

O primeiro-ministro só foi de férias no final do mês, e quem o substituiu foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Guerra no PSD e na oposição

Mas já em 2017, apesar do período de descanso de Costa não ter coincidido com o incêndio de Pedrógão tinha gerado polémica. Isto porque a oposição, em particular o CDS, reivindicavam a presença do primeiro-ministro para continuar a monotorizar o desenrolar dos acontecimentos que se seguiram à tragédia que vitimou 66 pessoas.

Acresce que na mesma altura aconteceu o furto de armas em Tancos, mais uma situação grave para gerir no governo. Assunção Cristas apelou ao regresso de Costa, que se encontrava em Palma de Maiorca, para demitir os ministros implicados em cada uma das situações. Na altura, a ministra da Administração Interna era Constança Urbano de Sousa - que acabou por se demitir, depois do Presidente da República ter "empurrado" para essa decisão - e Azeredo Lopes o ministro da Defesa, que mais tarde também acabou por cair do governo.

Há dois anos, o gabinete de Costa emitiu um comunicado para estancar a polémica: "O primeiro-ministro está sempre contactável e disponível em caso de necessidade".

Mais tarde nesse ano, em setembro, também o então ainda líder do PSD, o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou as férias de António Costa nesse verão, salientando que o Governo "praticamente meteu férias" e deixou o Presidente da República "a dar a cara pelos problemas" de Pedrógão e Tancos, no final de uma ação de campanha autárquica com o candidato do partido à Câmara de Águeda.

Mas Rio também não escapa à controvérsia dentro do PSD sobre as suas próprias férias, que terminaram na sexta-feira, altura em que tomou posição pública sobre a greve dos camionistas. Isto porque durante vários dias o partido e o líder social-democrata mantiveram-se em silêncio sobre a crise energética, o que foi considerado por setores críticos do partido como mais um erro estratégico.

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