Segredos de família que Yves Saint Laurent morreu sem conhecer

Marianne Vic revela em livro algumas das histórias da família do estilista que faleceu sem saber que a mãe tinha sido violada em criança

"Rien de ce qui est humain n'est honteux" (Nada do que é humano é vergonhoso), é o mais recente livro de Marianne Vic, sobrinha de Yves Saint Laurent, que guardou por 16 anos um segredo familiar, que agora torna público: a violação da mãe do estilista, quando tinha apenas 5 anos de idade, pelo padrasto, lê-se numa reportagem do Le Point.

"Eu nunca pensei sequer em contar-lhe [a Saint Laurent]", explica Vic, filha de Brigitte, irmã do estilista, a quem a avó Muller confidenciou o segredo em 2002, poucos dias depois de o estilista ter anunciado a sua retirada do mundo da moda.

"Nunca compreendi porque é que ela me tinha escolhido. Porque é que não contou a um dos três filhos, que ainda estavam vivos?", questiona a escritora num artigo publicado pelo El País.

"Um segredo de família é sempre um veneno. Seja qual for, devora-te por dentro", solta.

Este segredo não vinha sozinho. Lucienne, a mãe do designer, era também ela filha de uma violação. A mãe tinha sido violentada pouco depois do casamento com um banqueiro da Argélia colonial. A fim de evitar que a escalada social da família fosse retardada pelo escândalo, a menina foi confiada a uma ama de leite e passou os primeiros cinco anos de vida a viver num lar adotivo.

Foi quando regressou a casa da mãe, para viver com ela, que foi vítima da violação do padrasto, segundo revela o livro de Vic recentemente publicado em França.

"Eu não queria transmitir este peso aos meus filhos", diz justificando a obra, que surge agora para colocar o segredo a descoberto 16 anos depois de a avó lho ter confiado.

A sobrinha de Yves Saint Laurent esperou da morte do tio, da avó e da mãe, Brigitte, para contar ao mundo o que tinha acontecido com a mãe do estilista.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.