Tordesilhas. "Portugueses tinham 60 anos de experiência do Atlântico e Castela dois"

João Paulo Oliveira e Costa, catedrático de História na Universidade Nova de Lisboa e diretor do Centro de História d'Aquém e d'Além Mar, falou ao DN a partir da localidade espanhola de Tordesilhas onde em 7 de junho de 1494, há precisamente 525 anos, Portugal e Castela celebraram o tratado em que dividiam, entre si, o mundo conhecido "e por descobrir".

Qual a importância do tratado de Tordesilhas?
Tem a maior importância, porque representa a evolução do processo de expansão europeia levada a cabo por Portugal e Castela. É a primeira vez na história que duas potências partilham o mundo às cegas. Para Portugal, representa a capacidade de definir uma área de influência em paz com Castela e dentro do que eram os objetivos estratégicos do rei D. João II.

Porque é que Portugal quis colocar a linha divisória do tratado o mais possível a ocidente?
De certeza absoluta que o rei e os seus conselheiros já conheciam o sistema de ventos do hemisfério sul e que tinham de navegar para sudoeste para ter ventos favoráveis. Se sabiam da existência de terras não é relevante, mas de certeza que não saberiam de um continente com a dimensão das Américas.

Só com Fernão de Magalhães é que a Espanha ficou a conhecer todos os seus territórios. Porquê?
Castela vai explorando passo a passo toda essa área que lhe cabia. De facto, só com a viagem de Magalhães é que conseguem completar essa descoberta, que começou com Colombo... foi Magalhães que lhes deu a conhecer a linha exata da costa americana do Atlântico.

Portugal negoceia então numa posição de vantagem, face ao conhecimento que já tinha...
Claro. Os portugueses negoceiam conhecendo bem o Atlântico e os castelhanos só com a informação recolhida por Colombo na primeira viagem. Os portugueses tinham 60 anos de experiência e Castela dois quando assinam o tratado.

Quando é que Portugal e Espanha perderam a capacidade de obrigar outras potências a respeitarem o tratado?
Na verdade, nunca conseguiram totalmente. Na América do Norte, os castelhanos nunca controlaram os franceses no Quebec e os ingleses mais a sul. E depois da derrota da Invencível Armada em 1588, que tinha navios espanhóis e portugueses, desvanece-se a capacidade de bloquear o Atlântico e ir à caça dos corsários inimigos.

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