Sindicato dos jornalistas condena divulgação de imagens "humilhantes" de fugitivos

A nota emitida pelo Conselho Deontológico classifica de "inaceitável" a publicação, por alguns meios de comunicação social, das imagens da detenção de três fugitivos suspeitos de assaltos

Depois de inquéritos abertos pela PSP e pelo Ministério da Administração Interna aos polícias que decidiram divulgar nas redes sociais fotografias da detenção de três homens que tinham fugido das instalações do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, agora é a vez do Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas emitir um comunicado onde repudia veementemente a publicação dessas mesmas imagens por parte de alguns órgãos de comunicação social.

O Sindicato considera "deontologicamente inaceitável a utilização das imagens em causa, subscrevendo a posição da Amnistia Internacional de que se trata de um 'espetáculo indigno'". O CD alega que as fotografias "humilham, desnecessariamente, as pessoas em causa, que são suspeitos de terem cometido crimes, não perdendo por essa razão os direitos e as garantias conferidas pela lei". E que, ao divulgar este tipo de conteúdo, os meios de comunicação social que o fizeram estão a "agredir" o dever deontológico "de respeitar os direitos dos suspeitos de crimes, como está previsto no artigo 8.º do Código Deontológico: 'O jornalista deve salvaguardar a presunção de inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado'.".

O facto de as imagens terem sido divilgadas pela PSP e de terem começado a circular nas redes sociais não legitima a sua publicação pelos jornalistas, sublinha o comunicado.

"Ter sido ou não a PSP a divulgar as imagens não legitima a sua publicação jornalística, até porque se a polícia o fez cometeu um crime. A opinião pública conta com o jornalismo para ser o garante das liberdades, dos direitos e das garantias; situações como a descrita violam fortemente esse contrato com a sociedade", remata o comunicado.

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