"Seria importante contar com a Escola Segura" para dispersar concentrações nas entradas e saídas

Em jeito de balanço, o arranque do ano letivo 2020/2021 correu bem, na opinião de pais e diretores de escola, e os próximos dias servirão para fazer os ajustamentos necessários. Sobretudo para evitar as aglomerações à entrada e saída dos estabelecimentos de ensino.

Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), e Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) são unânimes: o arranque do novo ano letivo correu como seria expetável e o balanço dos primeiros dias é positivo.

Para o representante dos pais, assim como para o dos diretores de agrupamentos, o que correu pior foi alguma confusão à entrada e saída das escolas, com a concentração de estudantes em muitos estabelecimentos do país e também de encarregados de educação, sobretudo nas escolas do ensino básico.

"É natural, porque os miúdos estavam com saudades uns dos outros e aproveitaram para se reencontrar do lado de fora da escola, onde estão menos condicionados pelas regras. Da parte dos pais e das famílias também houve alguma ansiedade, muito fruto das falhas de comunicação por parte de alguns estabelecimentos de ensino, que levou a alguns ajuntamentos na hora de entregar os filhos. Obviamente que agora é preciso ajustar determinados procedimentos e tomar medidas para que estes episódios não voltem a acontecer", diz Jorge Ascenção.

Filinto Lima concorda e diz que essa será a preocupação dos próximos dias, ajustar o que correu menos bem. "Este é um processo dinâmico e as escolas estão a trabalhar para fazer as melhorias que forem necessárias, de acordo com o diagnóstico de problemas sentidos nestes primeiros dias", diz.

As concentrações nas entradas e saídas são o mais evidente e, para o dirigente da ANDAEP, "seria importante contar com o programa Escola Segura, da PSP, para ajudar a resolver esse problema, sensibilizando os alunos para o cumprimento das regras e apelando à dispersão".

O que não significa de modo nenhum alijar responsabilidades às escolas. "Se e quando for preciso rever os nossos planos de contingência e as nossas medidas, nomeadamente nesse aspecto, teremos que ser humildes e fazê-lo, como disse o nosso presidente da República".

A ministra da Saúde, Marta Temido também falou sobre as concentrações à porta das escolas esta sexta-feira, na conferência de imprensa conjunta, garantindo que "os vários setores do governo estão a tentar fazer o melhor para procurarem as melhores soluções possíveis. Todos nós já passámos por experiências pessoais de adaptação. A vida com a covid é muito mais difícil. É um esforço de todos".

Filinto Lima, no entanto, diz estar mais preocupado com o que se passa longe dos portões da escola, uma vez que, segundo as indicações que tem, os alunos têm revelado uma elevada consciência cívica e cumprido globalmente as regras e procedimentos adotados.

"Agora é preciso que os cumpram também lá fora, alunos e adultos, e sublinho os adultos, nos transportes públicos, no metro, no comboio, no autocarro, no espaço público e nos comportamentos que adotam. Quem me dera que todos os adultos tivessem a mesma consciência cívica que a generalidade dos nossos alunos têm revelado", diz Filinto Lima.

Jorge Ascenção partilha a ideia de que as medidas para evitar a propagação da covid-19, sobretudo neste momento em que os números estão a aumentar e a movimentação de pessoas também, com o regresso às aulas e ao trabalho, não são para cumprir apenas dentro da escola.

"É um trabalho de todos, escola, famílias, autarquias. Se mantivermos a responsabilidade e não baixarmos a guarda, evitaremos mais facilmente o que todos tememos que seria a necessidade de um novo confinamento, que é fácil perceber o que custará, não só a nível económico. É a nossa liberdade que está em causa", diz o dirigente da CONFAP, que não quer perder o que acabou de recuperar.

"Ainda ontem, o meu filho, ao chegar à escola, dizia 'como eu tinha saudades de cá vir'. Muitas pessoas só agora tomam consciência, no regresso, depois destes seis meses de afastamento, da importância que o trabalho ou a escola tinha para elas e da falta que lhes fazia. Agora, é evitar voltar à prisão". Jorge Ascenção acredita que estão reunidas as condições para o evitar.

"Não sabemos o que está para além da curva, mas estou confiante que seremos capazes de a fazer em segurança".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG