PSP e GNR não querem guardas prisionais na manifestação

Os sindicatos da PSP e da GNR que organizam a manifestação desta quinta-feira pediram ao sindicato da guarda prisional para não participar. Os guardas lamentam esta posição

Em comunicado, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) - o maior desta força de segurança - revela que pediu para aderir à manifestação desta quinta-feira, dia 21, tendo em conta que têm reivindicações idênticas, mas que, na sequência desse pedido, os organizadores informaram que esta "se destina apenas aos associados da Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP) e da Associação de Profissionais da Guarda (APG)". A decisão deixou surpreendidos e incomodados os guardas prisionais, principalmente porque este sindicato integra, juntamente com a ASPP e a APG, a Comissão Coordenadora Permanente (CCP), uma plataforma que reúne os maiores sindicatos da PSP, GNR, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima, os quais participam solidariamente nos protestos uns dos outros.

O comunicado 51/2019 dirigido aos associados conta que "na sequência da divulgação" da manifestação por parte da ASPP e da APG, "tendo em conta que o Corpo da Guarda Prisional está afetado,entre outros, pelos mesmos problemas", foi solicitado "junto do presidente da APG (César Nogueira) a adesão à referida manifestação". "Acontece que o presidente da APG nos disse que esta manifestação se destina apenas aos associados da ASPP e da APG, porque pretendiam realizar uma forma de luta individual, mas no final decidiram juntar-se e realizar a manifestação em conjunto", explica o comunicado.

O presidente do SNCGP, Jorge Alves, sublinha que César Nogueira lhe disse que "noutra altura a combinar" iriam marcar outra manifestação com outros membros da CCP. "Respeitando a decisão (...) a direção do SNCGP conclui não existir a possibildade de participarmos oficialmente na manifestação do dia 21 de novembro. Situação que lamentamos, mas temos que respeitar", conclui Jorge Alves.

O ministro da Administração Interna não conseguiu travar o protesto dos polícias marcado para esta quinta-feira

Alguns membros da guarda prisional têm sido apontados como estando na origem de desordens em anteriores manifestações de polícias, como na de 21 de novembro de 2013 e que terminou com a invasão da escadaria, e a de março de 2014. Chegaram a ser alvo de inquéritos disciplinares e criminais, mas sem sanções.

Com o lema "tolerância zero", a manifestação começa às 13:00 no Marquês de Pombal e ruma à Assembleia da República, com concentração marcada para as 16:00.

Apesar de o ministro da Administração Interna (MAI) ter reunido na quinta-feira passada com os sindicatos mais representativos da PSP e na segunda-feira com a APG/GNR, as estruturas decidiram manter o protesto, por ainda não estar definido um calendário para a resolução rápida dos problemas, apenas uma agenda de reuniões negociais.

Entre as reivindicações que motivaram o protesto, e além dos aumentos salariai,s está também a atualização dos suplementos remuneratórios, que "há mais de 10 anos que não são revistos", o pagamento de um subsídio de risco e mais e melhor equipamento de proteção pessoal. Os polícias exigem também uma fiscalização das condições de higiene, saúde e segurança no trabalho e que seja cumprido o estatuto na parte referente à pré-aposentação aos 55 anos.

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