Portugal já tem 12 mortos por covid-19 e vai aumentar tratamentos em casa

Nas últimas 24 horas, duplicou o número de mortos e aumentaram em 260 os casos confirmados em Portugal, segundo a DGS. Ministra da Saúde aponta pico da pandemia para 14 de abril.

"De acordo com a evolução do número de casos de covid-19 em Portugal estima-se que a ocorrência do pico da curva epidemiologia se situe à volta do dia 14 de abril", admitiu a ministra da Saúde, em conferência de imprensa, este sábado. Marta Temido anunciou ainda que os idosos admitidos em lares nos próximos tempos, bem como os profissionais de saúde deverão começar a ser testados de forma prioritária, juntando-se aos suspeitos de covid-19, no dia em que Portugal regista 1280 casos confirmados e duplica o número de mortes. Já são 12.

O país tem cerca de nove mil testes PCR (as análises biológicas utilizadas para detetar a presença do novo coronavírus) no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a que se juntarão se necessário pelo menos 17 mil nos hospitais privados, indicou a responsável pela pasta da Saúde.

Marta Temido referiu ainda que o tratamento do covid-19 em casa continuará a ser privilegiado para os doentes com sintomas ligeiros (que representam cerca de 80% de acordo com as estatísticas internacionais, citadas pela Organização Mundial de Saúde). É uma mudança na estratégia inicial, explicou.

Mortes duplicam nas últimas 24 horas

No último dia, foram confirmados mais 260 casos de infeção pelo novo coronavírus, elevando assim o número total para 1280, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde, deste sábado (dia 21 de março). Portugal passa assim a ser o 20.º país do mundo com mais casos de infeções pelo novo coronavírus.

Há cinco pessoas recuperadas e o número de mortos duplicou de ontem para hoje. Já são 12 (quatro na região norte, quatro no centro, três em Lisboa e um no Algarve). A taxa de letalidade do país é de cerca de 1%, de acordo com a informação avançada pela diretora-geral da Saúde, durante a conferência. Graça Freitas aproveitou ainda para indicar que esta percentagem "está aquém" de valores registados noutros países.

O que não quer dizer, que não aumente nos próximos dias. "Nós começámos a internar e a detetar casos do dia 2 [de março] e hoje é dia 21, portanto, ainda pode acontecer que alguns destes doentes venham a morrer", disse Graça Freitas, durante a conferência.

Estão internadas em hospitais 156 doentes, sendo que destes 35 encontram-nos cuidados intensivos (mais nove do que esta sexta-feira). Há ainda 1059 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais e 13155 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde. A região mais afetada do país continua a ser o Porto (644 casos, 4 morte), depois Lisboa (448, 3 mortes). Seguem-se o centro (137, 4 mortes), o Algarve (31, uma morte), a Madeira (cinco casos), os Açores (3) e o Alentejo (3).

Já a faixa etária em que existem mais infetados é a dos 40 - 49 anos (242 cidadãos doentes). Seguem-se as pessoas entre os 30 e os 39 (234). Há 18 crianças até aos nove anos infetadas com o novo coronavírus e 186 idosos com mais de 70 anos, o grupo que gera maior preocupação em conjunto com os os doentes crónicos e oncológicos. É para os primeiros - os mais velhos - que Marta Temido lança um apelo para que se mantenham vigilantes, anunciando que estão a ser desenvolvidas mais estratégias para apoiar esta população, nomeadamente, através dos lares.

Isto sem descorar a atenção aos mais novos, num discurso consonante com o do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, que, esta sexta-feira alertou os jovens para o facto de não serem poupados nesta pandemia. "Não são invencíveis. Este vírus pode pôr-vos a todos durante semanas num hospital ou até matar-vos. Mesmo que não adoeçam, as escolhas que fazem sobre até onde podem ir podem fazer a diferença entre a vida e a morte de alguém", referiu Tedros Adhanom.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira até às 23:59 de 2 de abril, segundo o decreto publicado na quarta-feira em Diário da República, que prevê a possibilidade de confinamento obrigatório compulsivo dos cidadãos em casa e restrições à circulação na via pública, a não ser que tenham justificação. Sendo que, num discurso feito ao país esta sexta-feira à noite, o primeiro-ministro, António Costa, admitiu que o estado de emergência deverá ser renovado.

Medidas tomadas estão de acordo com o risco

Ministra e diretora-geral da Saúde concordam e insistem: estão a ser tomadas todas as medidas adequadas à proporção de casos no país, sendo que há uma constante atualização das mesmas. Como Graça Freitas diz: "Estamos sempre a aprender".

Apesar de admitir falhas de equipamentos em algumas unidades de Saúde, Marta Temido também reforça: "Sabemos que todos os países se confrontam com carências ao nível da proteção individual, mas estamos constantemente a encomendar mais material". A próxima leva chegará, segundo a tutela, a 23 de abril e haverá outra a 30. Sendo que às 22 horas do dia 20 de março ainda existiam na reserva estratégica nacional, por exemplo, dois milhões de máscaras do tipo 2, completou a ministra.

Arrependimentos sobre a metodologia adotada até agora? "Fizemos sempre o que podíamos", garante Marta Temido, dando o norte como exemplo. Apesar de ter sido a primeira região a manifestar casos e continuar a ser a que mais infetados tem, a ministra relembra a resposta hospitalar, nomeadamente, do Centro Hospitalar e Universitário de São João, no Porto, uma das unidades de referência no combate ao covid-19, em Portugal. "O norte tem sido exemplar na forma como está a responder a isto tudo", diz. "Em relação a Ovar [onde foi decretado estado de calamidade local, antes ainda do estado de emergência nacional] não poderia ter sido mais adequada e atempada a resposta das autoridade de saúde".

Já Graça Freitas, questionada pelo DN, sobre a possibilidade de quarentena total, disse: "Não podemos colocar tudo na quarentena". "O importante são as medidas permanentes no terreno e o isolamento social - que estamos de facto a cumprir - não é parar toda a atividade. É para manter regras na atividade. Até à data parece-nos suficiente".

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos).

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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