Em frente ao ministério das Finanças, polícias lembram que são humanos e não robôs

Durante a tarde, sete sindicatos da PSP e da Associação Profissional dos Guardas juntaram-se no Terreiro do Paço para se fazerem ouvir em frente ao ministério de Mário Centeno. Traziam uma carta para entregar ao ministro das Finanças, onde exigem respeito, mas tiveram de a deixar à porta com os assessores. Mais um motivo de desilusão, dizem. A plataforma de sindicatos irá reunir em breve para decidir novas medidas de luta se não houver feedback do governo.

Uma centena de polícias e guardas-republicanos reuniram-se, na tarde desta terça-feira, em três cidades - Lisboa, Faro e Braga - para protestarem contra o governo, por considerarem que as reivindicações apresentadas e que motivaram a manifestação de novembro, em frente à Assembleia da República, continuam por cumprir.

"A nossa intenção é tão só deixar registado que não nos esquecemos de que não foram atendidas nenhuma das nossas reivindicações. A nossa luta continua e não deixaremos de pressionar as negociações que estão a decorrer", afirmou ao DN um dirigente sindical, antes do protesto, que começou às 16:00. Segundo Armando Ferreira, presidente Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), os polícias "cansaram-se de promessas que não são cumpridas". Por isso, erguem cartões vermelhos no ar, uma resposta à atitude do Executivo.

Deixaram o Terreiro do Paço desiludidos com a reação dos governantes. Pretendiam ser recebidos no ministério das Finanças e levavam consigo um documento, onde solicitam "uma vez mais" a resolução dos problemas, mas não passaram da porta. Tiveram de deixar a carta com os assessores de Centeno. "Ao longo de duas décadas, a PSP tem vindo a perder efetivos e aumentar a média etária de forma preocupante. Sendo que a polícia ainda é composta por seres humanos e não robôs, não é entendível que o Governo continue a fazer promessas que sabe de antemão que não irá cumprir", leu, na rua, um representante dos sete sindicatos da polícia e a Associação de Profissionais da Guarda (APG), que representam 30 mil homens.

O protesto não contou com a presença do Movimento Zero, que já se manifestou esta manhã junto ao aeroporto de Lisboa e do Porto, sem se ter registado nenhum conflito.

O que pedem?

As concentrações desta terça-feira iniciam um período de protestos da PSP e da GNR, que estão a ponderar entregar as armas de serviço e avançar com uma greve de zelo. Prometem organizar-se mensalmente e sair à rua até que o Governo responda às suas reivindicações: pagamento do subsídio de risco, atualização salarial e dos suplementos remuneratórios, criação de legislação relacionada com higiene e saúde, aumento do rendimento efetivo e mais e melhor equipamento de proteção pessoal.

No âmbito do calendário de negociações com os sindicatos e as associações socioprofissionais das forças de segurança, já se realizaram três reuniões no Ministério da Administração Interna sobre o pagamento retroativo dos suplementos não pagos em período de férias e o plano plurianual de admissões e suplementos remuneratórios. E estão previstos mais dois encontros, a 13 de fevereiro (para abordar a lei de programação das infraestruturas e equipamentos das forças e serviços de segurança) e a 5 de março (sobre segurança e saúde no trabalho).

Na semana passada, Eduardo Cabrita, o ministro da Administração Interna, anunciou o recrutamento de 10 mil elementos para a PSP, GNR e SEF até 2023 no âmbito do plano plurianual da admissão.

BE quer atualizações salariais e mais polícias

Sandra Cunha, deputada do Bloco de Esquerda, também decidiu marcar presença no protesto dos polícias, em Lisboa. O partido apresentou, esta terça-feira, um conjunto de medidas para serem discutidas nos debates da especialidade do Orçamento do Estado de 2020. Defendem, para a classe, atualizações salariais concursos externos, que garantam 1500 efetivos para a PSP e 1100 para a GNR, ainda este ano, e o pagamento retroativo dos suplementos.

Nas propostas entregues indicam ainda como prioridade a criação de um subsidio de risco, cumprindo o que já foi aprovado anteriormente. Por outro lado, querem retirar do plano geral aprovado para o Orçamento do Estado o "fim da norma travão de passagem à reserva, pré aposentação ou disponibilidade", explica a deputada bloquista, ao DN.

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