Pais de Matilde já receberam pelo menos um pedido de reembolso

Mãe da bebé adiantou que o dinheiro será devolvido, mas não referiu quando é que será feito o reembolso.

Os pais da bebé Matilde, que sofre de atrofia muscular espinhal do tipo 1, já receberam pelo menos um pedido de reembolso de um donativo feito com vista à compra de um medicamento inovador, que custa perto de dois milhões de euros. Segundo o Jornal de Notícias, como a verba não foi necessária, porque o estado pagou o fármaco, pelo menos uma pessoa pediu a devolução do dinheiro.

Ao JN, um dos doadores confirmou ter pedido o reembolso dos cem euros que doou, tendo recebido resposta da mãe, Carla Martins, que garantiu que isso viria a acontecer. Não foi, no entanto, dada previsão para a devolução do dinheiro.

Vários especialistas em Direito têm vindo a defender a devolução dos donativos. Contactado pelo matutino, o advogado João Perry da Câmara, diz que as pessoas "doaram com base num pressuposto que foi alterado. O que é lógico é devolver-se o valor ou, no mínimo, perguntar se querem o reembolso".

Recorde-se que os pais da bebé conseguiram angariar mais de 2,5 milhões de euros numa campanha solidária com vista à compra do medicamento, que ainda só está disponível nos EUA. No entanto, o Serviço Nacional de Saúde assegurou o tratamento a Matilde e a outra criança com o mesmo problema, Natália, tendo o medicamento sido administrado a 27 de agosto no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Como a verba não foi necessária para adquirir o Zolgensma, a família disse que o dinheiro será encaminhado para outras famílias que tenham crianças com a mesma doença.

Na última atualização feita na página "Matilde, uma bebé especial", os pais revelam que a bebé está "a reagir bem" ao medicamento e aos corticoides. "Por enquanto tudo a correr bem, nada de efeitos adversos. Os papás estão cansados, mas acreditam muito na minha recuperação apesar do caminho ser longo, vamos conseguir superar as expectativas", lê-se na publicação.

Numa conferência de imprensa marcada para esclarecer dúvidas sobre os donativos, os pais garantiram que a conta está a ser monitorizada desde o início. Há mês e meio que foram canceladas transferências e depósitos e, a partir de certa altura, a família deixou de revelar o saldo a conselho da instituição bancária (Caixa Geral de Depósitos), para proteção da mesma.

Segundo os pais da bebé, o dinheiro que está a ser gasto é para ajudar dez famílias de crianças com a mesma doença de Matilde, "prioritárias" para Carla e Miguel.

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