"Operação Alçapão": 400 quilos de cocaína estavam escondidos em fundo falso

Primeiro contentor chegou ao Porto no ano passado. Tinha 170 quilos da droga e foi o ponto de partida para a investigação. Seis homens foram detidos, entre eles um português.

A Polícia Judiciária apreendeu um total superior a 500 quilos de cocaína na "Operação Alçapão" que durou meses e permitiu deter seis suspeitos de pertencerem a uma organização que introduzia na Europa cocaína proveniente da América latina.

Em declarações esta quinta-feira à agência Lusa, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), Artur Vaz, explicou que no ano passado a PJ teve conhecimento de um contentor que tinha chegado ao Porto, com 170 quilos de cocaína, iniciando na altura uma investigação.

Na sequência desta informação, a investigação chegou aos seis suspeitos de pertencerem à organização criminosa que se dedicava à introdução de grandes quantidades de cocaína na Europa, por via marítima.

Nos últimos dias, a PJ conseguiu localizar, no Porto, um outro contentor, que foi transportado para um armazém no norte do país. Foi nesse local que as autoridades acabaram por perceber que o contentor de fruta transportava 400 quilos de cocaína escondidos num fundo falso.

Os seis suspeitos, com idades entre os 38 e os 54 anos e de nacionalidade portuguesa, espanhola, colombiana e dominicana, acabaram detidos e serão esta quarta-feira presentes às autoridades competentes para aplicação das medidas de coação adequadas.

A "Operação Alçapão" é da responsabilidade da UNCTE da PJ e contou com o apoio da Diretoria do Norte, do Departamento de Investigação Criminal de Braga e da Autoridade Tributária e Aduaneira.

No ano passado, foram apreendidas 20 mil toneladas de droga que tinham como destino a Europa, mais do que em todo o ano de 2018. Os especialistas dizem que há "um tsunami de cocaína" a cruzar o oceano - e que chegam em veleiros.

No ano passado, até julho, já tinham sido apreendidas 20 mil e 800 toneladas de cocaína no mar. "Em 2018 foram 15 mil e 600 no total. Isto já nos dá uma perspetiva do que se está a passar...", disse então ao DN Michael O"Sullivan, diretor do Maritime Analysis and Operations Centre Narcotics (MAOC -N), uma plataforma que coordena todas as operações que travam o tráfico de droga no Atlântico e que tem sede em Lisboa.

Em 12 anos de atividade - o centro foi criado a 30 de setembro de 2006 -, 2019 foi o ano em que mais droga foi apreendida, sobretudo em veleiros, que exigem menos tripulação. O consumo de droga está a crescer na Europa e na América do Sul o cultivo da planta da coca tem obedecido fielmente à procura.

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