O navio invisível à vista. Rio Arauca já saiu do Tejo

Embarcação venezuelana que esteve dois anos parada no Tejo foi para o Porto de Setúbal.

O Rio Arauca, o petroleiro venezuelano arrestado há quase dois anos no Mar da Palha, no Tejo, foi levado esta quarta-feira para o Porto de Setúbal, onde se manterá arrestado. Termina assim a odisseia desta embarcação no Tejo, onde até maio deste ano viveram 16 pessoas - alguns estavam no meio do rio desde dezembro de 2017 a olhar para Lisboa, mas sem poder pisar terreno da capital.

O barco venezuelano chegou a Lisboa a 24 de julho de 2017 e foi imediatamente arrestado por dívidas, primeiro a credores internacionais, depois ao Porto de Lisboa.

Este navio está ao serviço da PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana, que mergulhou numa crise profunda e tem vários navios arrestados por dívidas em portos de todo o mundo. Há vários outros petroleiros venezuelanos arrestados, dois deles - como noticiou a SIC em fevereiro de 2019 - no porto de Setúbal.

O que tornou este caso - que o DN revelou em novembro de 2018 - absolutamente único é que a exploração do navio era venezuelana, o armador do barco era alemão e o seu pavilhão estava nas ilhas Marshall, o que impedia as autoridades portuguesas de deixarem o navio ancorar. Isso obrigava a manter uma tripulação a bordo e fazia com que as estadias a bordo se prolongassem além do tolerável.

O navio era abastecido de dois em dois meses de comida pela Knudsen Suppliers, tal como o lixo era recolhido a cada trimestre pela Autoridade Marítima. Mas aqueles homens ali estavam, numa situação cada vez mais difícil de suportar. Como explicava um especialista em direito marítimo contactado pelo DN, "não era ilegal, mas era imoral."

Agora vai deixar de ser o navio que todos os que cruzavam o Tejo viam, mas que poucos conheciam ou se apercebiam da sua existência: o tal navio invisível à vista de toda a gente.

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