Portugal só atrás da Suécia em novos casos. Mas mortalidade é baixa

Portugal é dos países que registam, atualmente, mais contágios na Europa, mas mantém uma taxa de mortalidade inferior à generalidade dos seus vizinhos.

A mortalidade provocada pela covid-19 mantém-se mais baixa em Portugal do que em boa parte dos congéneres europeus, isto apesar de o país figurar no topo da lista dos contágios, ao lado do Reino Unido e atrás da Suécia, países europeus com maior número de novos casos por milhão de habitantes nas últimas duas semanas.

Mas este é um dado que, comparativamente, não encontra paralelismo nos índices de mortalidade. De acordo com o worldometers, que agrega informação dos vários países sobre a covid-19, e feitas as contas aos números da última semana (do domingo a quinta-feira), Portugal registou 2.9 mortos por milhão de habitantes. Em França, a mortalidade no mesmo período foi de 3,1 pessoas por milhão de habitantes, um número que sobe para 4,8 no caso da Bélgica (país de 11, 5 milhões de habitantes, um pouco mais que Portugal).

No caso da Itália, ao longo da última semana morreram quase cinco pessoas (4.8) por cada milhão de habitantes. Mas o país que se destaca no topo deste indesejado ranking é a Suécia, que ao longo da última semana registou 15,6 mortes por milhão de habitantes. A Suécia - que adotou uma estratégia diferenciada, não impondo o confinamento - também é o país da Europa que apresenta, atualmente, um maior número de novos casos.

Já a Espanha tem, nesta altura, números de mortalidade particularmente baixos, dado que registou apenas uma morte durante toda a última semana. Mas, apesar de o Ministério da Saúde contabilizar um único óbito causado pela covid-19, várias regiões têm apontado uma realidade diferente, com o registo de várias mortes.

Entre domingo e quinta-feira Portugal registou um total de 30 mortos, com uma variação diária entre os cinco e os sete. O número mais baixo da semana (que já não entra nesta contabilidade) data desta sexta-feira, com o registo de um óbito.

Dois cenários em cima da mesa

Para Ricardo Mexia há "duas interpretações possíveis" destes números. "Por um lado sabemos que a mortalidade não é imediata em relação ao aumento do número de casos. Por outro lado, também sabemos que o padrão da infeção em Portugal mudou em relação ao que era no início. Temos pessoas com uma idade mais baixa, que tendencialmente têm uma evolução mais benigna da doença", diz ao DN o médico e presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, acrescentando que ainda é cedo para fazer essa avaliação e perceber qual das duas possibilidades se impõe.

Já sobre o aumento de contágios poder dever-se ao número de testes que está a ser feito, Ricardo Mexia não vê que seja assim. "Se formos ver o número de testes, a variabilidade não é assim tão grande. Haverá uma parte que tem a ver com os rastreios, mas há uma parte relevante que não, são doentes identificados", refere, sublinhando que os os números, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, são "preocupantes" - "É fundamental acompanhar a evolução nos próximos dias para decidir em que sentido é que vamos".

Já Pedro Simas, investigador do Instituto Medicina Molecular, alerta que números tão baixos podem induzir 'armadilhas' estatísticas. Ou seja, há um conjunto de determinantes que pode estar a afetar os números em cada país e que torna difícil qualquer leitura comparativa. É o caso, por exemplo, do "número de testes e onde é que estão a ser utilizados": "É normal, em Portugal, que as populações de risco estejam mais protegidas e que os casos de infeção sejam em zona mais ativas da economia, portanto o número de fatalidades baixa, não temos tanta mortalidade associada".

"Quando se está a falar em números tão baixos pode haver algumas assimetrias entre os países. É muito cedo para tentar prever o que vai acontecer, se o nosso desconfinamento está bem feito ou não está em feito. Os números são muito baixos", reitera Pedro Simas.

Em termos gerais, desde o início da pandemia, e no que aos dados da mortalidade diz respeito, a Bélgica é o país com os números mais negros em termos comparativos, com 832 óbitos por milhão de habitantes. Segue-se o Reino Unido, com 611, e a Espanha, com 580 mortes por milhão. A Itália está logo atrás, com 566, enquanto a Suécia regista, por agora, 481 - mas, ao contrário do que acontece na generalidade dos países europeus, a epidemia ainda não está controlada. A França está nos 450 e os Países Baixos nos 353. Portugal tem 148 óbitos por cada milhão de habitantes, o que coloca o país em 16º nos números da mortalidade (considerando os países com mais de um milhão de habitantes).

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