Professores voltam a ameaçar com greve às avaliações a partir de 6 junho

Professores de todo o país desceram a avenida da Liberdade até ao Terreiro do Paço. São milhares, cerca de 80 mil, segundo os sindicatos. No discurso final, Mário Nogueira, disse que a classe exige ao PS coerência e pede à oposição que reponha a justiça na carreira docente

A manifestação começou com ligeiro atraso, pouco depois das 15:00, a partir do Marquês de Pombal em direção à Praça do Comércio. São milhares de professores de todo o país que enchem Lisboa para exigirem a contagem integral do tempo de serviço: nove anos, quatro meses e dois dias.

No final, Mário Nogueira discursou perante milhares anunciou que numa consulta pública feita a nível nacional, que estes declararam não aceitar o diploma do governo, reiterando a denúncia de que "estão a destruir a classe dos professores" e que não "há margem de manobra para aceitar as condições do governo de Costa."

O dirigente da Fenprof voltou a referir que se nada mudar da parte do governo que a classe está disposta para avançar com uma greve às avaliações a partir de 6 de junho, o que poderá prejudicar os alunos que vão aos exames deste ano.

O dirigente sindical da Fenprof referiu ainda no Terreiro do Paço que os professores esperam que a Assembleia da República, no dia 16 de abril, data em que PCP, BE e PSD já anunciaram que vão apresentar uma apreciação parlamentar, reponham a justiça devida à classe docente, sublinhando "não ser possível retirarem anos que foram trabalhados."

Aliás, este era o mote da manifestação, com um boneco cabeçudo que representava o primeiro-ministro António Costa com um cartaz a dizer "Roubo &,5 anos."

Mário Nogueira afirmou também que a classe de professores exige ao PS que seja coerente e ao BE, PCP e PEV, CDS e PSD que sejam capazes de convergir numa solução que seja justa para a classe docente, professores e educadores de infância.

Recorde-se que, no início do mês, o Governo aprovou o diploma que contabiliza menos três anos de serviço do que é exigido pelos professores - 9 anos, 4 meses e dois dias - para efeitos de progressão na carreira.

À manifestação dos professores em Lisboa juntaram-se representantes do BE, PCP e PEV. Catarina Martins, do BE, prometeu que a apreciação parlamentar do decreto do Governo, a 16 de abril, "servirá para encontrar um modo de contar integralmente o tempo de serviço dos professores ainda que de forma faseada, como os próprios professores entendem, que tem de ser".

A deputada sublinhou que o parlamento poderá forçar o Governo a contar todo o tempo de serviço "se todos os partidos forem consequentes com o que votaram no Orçamento do Estado e se não recuarem perante aquilo que disseram, se não tiverem nenhuma hipocrisia".

Para o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, "é tempo de resolver este problema, um problema de fundo" e a apreciação parlamentar do decreto do Governo, no próximo dia 16, será o momento para "desbloquear uma situação inaceitável e insuportável".

A deputada do PEV, Heloísa Apolónia referiu igualmente que a data de 16 de abril será decisiva para "fazer justiça e corresponder à expectativa dos professores" e de outras carreiras especiais para a contabilização de todo o tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira.

"Não consideramos minimamente justo que haja dois regimes em Portugal. Um em que seja contado todo o tempo de serviço, na Madeira e nos Açores, e depois os professores do continente não tenham essa possibilidade", declarou.

O protesto de hoje foi organizado pelas dez estruturas sindicais, que durante mais de um ano tentaram negociar, sem êxito, a recuperação do tempo de serviço, segundo fonte sindical.

E antes do final Mário Nogueira anunciou já nova manifestação nacional para 5 de outubro, para assinalar o fim da legislatura.

.

Exclusivos