Material de desencarceramento de 36 mil euros roubado aos Bombeiros de Miranda do Douro

Com este roubo, os bombeiros ficam "limitados na sua capacidade operacional em caso de acidente"

Material de desencarceramento avaliado em 36 mil euros foi furtado do parque de viaturas dos Bombeiros de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, disse esta quarta-feira à agência Lusa o presidente daquela Associação Humanitária.

"Levaram o gerador, tesouras, e outro material que equipa a viatura de desencarceramento ao serviço dos bombeiros"

Ulisses Firmino contou que os autores do furto entraram ao início da madrugada desta quarta-feira na garagem principal do quartel, onde se encontrava estacionada viatura que continha o equipamento de socorro.

"Levaram o gerador, tesouras, e outro material que equipa a viatura de desencarceramento ao serviço dos bombeiros", detalhou o dirigente.

Esta situação, disse, deixa os Bombeiros de Miranda do Douro "limitados na sua capacidade operacional em caso de acidente".

"Quem entrou aqui conhecia bem as instalações e o dia-a-dia da corporação", vincou Ulisses Firmino.

A GNR de Miranda do Douro está a investigar a ocorrência.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...