Máscaras não chegam para as encomendas desde casos em Itália

Listas e listas de reservas; máscaras e desinfetantes que vão diretamente para as encomendas; avisos que se repetem a anunciar que "não há máscaras". É este o cenário das farmácias portuguesas e que se agravou na última semana.

A Direção-Geral de Saúde não recomenda o uso generalizado das máscaras, algumas das quais nem são eficazes para travar o coronavírus. E são descartáveis, o que significa que devem ser mudadas sempre que são tiradas. Apesar disso, a corrida às farmácias em Portugal (onde os primeiros casos de infeção foram confirmados na segunda-feira) não dá sinais de parar, sobretudo à procura de máscaras mas também de desinfetante em gel ou toalhitas. As farmácias vão recebendo os produtos a conta-gotas, tentando satisfazer as encomendas, mas nem sempre chegam para os pedidos E há quem não aceite reservas.

É o caso da Farmácia Uruguai, um estabelecimento aberto 24 horas, todos os dias do ano, com uma média diária de 400 clientes. Tem um letreiro na máquina de distribuição de senhas: "Não temos máscaras". Uma informação que colocam sempre que esgotam o armazém. Desta vez, o papel está lá desde sábado, aguardando a reposição do stock.

Foi uma das várias farmácias que o DN visitou nesta segunda-feira, em Algés, Benfica e Venda Nova, no mesmo dia em que foram diagnosticados dois casos em Portugal. Não aumentou a procura por artigos relacionados com a proteção de vírus, porque já existia. Acentuou-se quando surgiu a confirmação de pessoas infetadas com o Covid-19 em Itália, há cerca de uma semana.

Venda de máscaras aumentou 1829,3%

A procura por máscaras passou de um total de 47 581 em janeiro e fevereiro do ano passado para 512 067 no período homólogo de 2020, um aumento de 976,2%, de acordo com dados revelados ao DN pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). Já a venda de embalagens de desinfetantes subiu de 130 290 naqueles dois meses para 282 928 - mais 117,2% - no período idêntico deste ano.

Na comparação mensal da venda de máscaras os dados mostram um crescimento de 21 746 embalagens (fevereiro de 2019) para 419 539 (fevereiro de 2020), mais 1829,3% revela a ANF. Também aumentou a venda de desinfetante: passou de 61 953 unidades para 198 939, mais 221,1 % em igual período.

"As farmácias estão a desenvolver todas as diligências e a trabalhar com os seus fornecedores de forma a dar resposta ao crescimento da procura por este tipo de produto", explicam os dirigentes da ANF. Acrescentam que, em articulação com a DGS, estão a desenvolver "planos de ação no sentido ajudar na prevenção, deteção precoce e encaminhamento de qualquer possível caso de contágio que surja no território", o que passa pela existência de uma rede de farmacêuticos com formação específica sobre o Covid-19.

A farmacêutica Ana Dias, diretora técnica da Farmácia Nova, na Venda Nova, acabou de receber 200 máscaras FFP1, também conhecidas por "bico de pato", que têm uma proteção baixa em relação à transmissão de vírus. Mas são as que tem e antes de as colocar à venda, vai percorrer as listas dos mais de 100 pedidos para satisfazer. Custam 2,90 euros a unidade. E desinfetante só tem spray, 5,95 euros cada embalagem. Não consegue abastecimento das máscaras mais eficazes ( FFP2 e FFP3) nem das cirúrgicas, das quais já venderam mais de mil caixas (50 unidades cada caixa),

"Temos tido muita procura nos últimos dias, desde que foram diagnosticados os primeiros casos em Itália. Inicialmente, vendemos para muitas pessoas que iam viajar, mas agora toda a gente quer comprar máscaras", explica a técnica. Aos clientes, vai repetindo as indicações da DGS: "As máscaras não são recomendadas para a maioria das pessoas, pois há evidência limitada de que impeçam a propagação da doença. A boa etiqueta respiratória e a higienização das mãos terão um impacto maior".

E enumera os cuidados a ter: lavar as mãos várias vezes ao dia e desinfetar com gel solução alcoólica, evitar locais com muita afluência, tossir e espirrar para o antebraço.

Na farmácia Miramar, em Algés, acabou de chegar uma encomenda, mas nada do material que recebeu para proteção das gripes irá para as prateleiras, é tudo para satisfazer as reservas.

Receberam máscaras cirúrgicas, cada caixa tem 50 unidades e custa 8,99 euros, sendo que os preços têm variado entre os 7,99 e 15,60 euros a embalagem. Chegaram, também, algumas máscaras FFP2. Têm filtros e uma proteção na ordem dos 90% e custam 8,90 euros cada uma, mas, nesta altura, ninguém contesta valores. E é uma sorte conseguir estas unidades, já que muitas farmácias não encontram artigos de maior proteção junto dos distribuidores.

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