3 mortos em Itália por Covid-19. O que o país está a fazer para conter o vírus?

"Com base no que se passou nas últimas 24 horas, ou nós temos capacidade de conter estes casos ou podemos estar mais próximos de uma pandemia", disse, ao DN, Filipe Froes, porta-voz da Ordem dos Médicos para o tema do coronavírus.

Na rua, há placards que aconselham as pessoas a permanecerem em casa, encerraram lojas, escolas, empresas, bares e há mais de 50 mil pessoas em quarentena, em Itália. Em pouco mais de 24 horas, registaram-se três mortes por Covid-19 (uma mulher de 75 anos e um homem de 78 e uma doente oncológica, cuja idade ainda não se conhece) e o número de pessoas que contraíram a epidemia aumentou para 150, durante a tarde, deste domingo, segundo as autoridades, citadas pelo Corriere della Sera.

O ministério da Saúde italiano acionou medidas de emergência em nove cidades nas regiões da Lombardia e de Veneto, no norte do país (onde foram registados os casos conhecidos de COVID-19). Para além do encerramento de vários estabelecimentos públicos e da quarentena obrigatória para quem tenha viajado para a China nos últimos tempos, nos aeroportos e nos portos estão a ser tomadas medidas de prevenção, como medir a febre a quem entra no país.

A Organização Mundial de Saúde não deu entretanto qualquer indicação para serem restringidas viagens para a Itália e mantém as mesmas recomendações, que passam por seguir o plano das autoridades italianas. O governo declarou o estado de emergência a 31 de janeiro e nomeou o responsável pela proteção civil, Angelo Borrelli, como comissário especial para a emergência. Mesmo assim, há quem tenha pedido mais medidas de proteção, cancelando eventos. A Semana da Moda de Milão está a decorrer "calmamente", segundo a organização, mas o presidente do Comité Olímpico de Itália, Giovanni Malagó, defendeu o cancelamento das atividades desportivas previstas para as regiões onde se estão a registar casos de coronavírus. "Se há competições de qualquer nível nas zonas onde houve estes casos, não pode haver desporto. É muito simples", afirmou Malagó.

Foi o que decidiram alguns clubes de futebol. Foram adiados três jogos programados para domingo pelo campeonato de futebol da primeira divisão, após a descoberta de dois focos de contágio do novo coronavírus no norte do país. As partidas entre Inter e Sampdoria, Atalanta e Bergamo e Verona e Cagliari serão disputadas numa data posterior ainda não definida.

"O que está a acontecer na Itália tem de ser visto com atenção"

"O que está a acontecer na Itália tem de ser visto com bastante atenção e preocupação, porque começam a surgir casos de transmissão com perda da ligação epidemiológica, ou seja, são casos em que não se consegue perceber quais os doentes com que estiveram em contacto ou o sitio onde contraíram a doença", diz, ao DN, o pneumologista Filipe Froes, porta-voz da Ordem dos Médicos para o tema do coronavírus.

A confirmação dos dois mortos em Itália, não altera o plano da Direção-Geral da Saúde (DGS) para Portugal. Ao DN, a autoridade da saúde garante estar a acompanhar com muita atenção a situação na Europa. E reforça os conselhos relativos à prevenção: evitar contacto próximo com pessoas com sinais de infeção respiratória aguda, lavar frequentemente as mãos, evitar contacto com animais, tapar o nariz e a boca quando espirra ou tosse e lavar as mãos de seguida. Em, caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), ligue para o SNS24 (808 24 24 24).

Preocupação aumenta com casos fora da China

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde manifestou, este sábado, inquietação perante infeções de coronavírus registadas fora da China e sem uma "ligação epidemiológica clara". "O número total de casos fora da China mantém-se relativamente baixo, mas estamos preocupados com o número de casos sem ligação epidemiológica clara, como sejam antecedentes de viagens [a zonas afetadas] ou contactos com casos confirmados", declarou, em conferência de imprensa, em Genebra, este sábado, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom.

Este tipo de contágio coloca em risco os profissionais de saúde, que não sabem logo quando estão ou não a lidar com uma pessoa infetada pelo vírus e, por isso, podem não tomar as devias precauções. Foi o que terá acontecido em Itália, onde entre os infetados estão, pelo menos, cinco profissionais de saúde.

"Com base no que se passou nas últimas 24 horas, ou nós temos capacidade de conter estes casos ou podemos estar mais próximos de uma pandemia. Nos nos últimos dias tivemos uma diminuição do número de casos, o que nos deu a sensação de que a situação poderia estar a evoluir rapidamente para um controlo. O que se passou nas últimas horas chamou-nos à atenção para que não é possível baixar as defesas até a situação estar resolvida", indica o médico Filipe Froes.

Mais de 77 mil infetados no mundo

Nas últimas 24 horas morreram pelo menos 109 pessoas na China, elevando os mortos pelo surto a 2459. Já o número de infetados por coronavírus atingiu os 78 619. Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 30 países.

Na Europa, a primeira morte aconteceu a 15 de fevereiro, em França. Era um turista chinês, natural da província de Hubei, onde a epidemia surgiu, no final do ano passado. Sobre a origem do vírus, batizado assim devido à sua forma que faz lembrar uma coroa, ainda não há certezas. Sabe-se apenas que o surto emergiu a partir de um mercado de venda de peixe fresco, marisco e outros animais vivos, incluindo espécies selvagens, como morcegos e cobras.

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