Maria João Valente Rosa deixa a Pordata

A fundadora da base de dados com estatísticas do país anunciou esta quinta-feira, através de um email, a sua saída do projeto, sem adiantar razões. Fundação Francisco Manuel dos Santos diz que foi a demógrafa que pediu para sair

Maria João Valente Rosa deixa de ser a diretora da Pordata já a partir desta sexta-feira. A fundadora da base de dados com estatísticas do país, que dirigiu durante dez anos, anunciou esta quinta-feira, através de um email, a sua saída do projeto, sem adiantar razões. A Fundação Francisco Manuel dos Santos adiantou ao DN que foi a demógrafa que pediu para sair e que já lançou o processo de escolha da nova direção.

"Hoje, dia 28 de Fevereiro de 2019, termino as minhas funções como Directora da Pordata". É desta forma que Maria João Valente Rosa, de 57 anos, inicia a sua mensagem de despedida, onde desfila os muitos resultados alcançados pelo projeto da FFMS. "A Pordata é hoje uma aliada incontornável das nossas vidas e uma companheira indispensável da vida do país. A Pordata conta atualmente com cerca de 3.000 quadros estatísticos e, de forma isenta e rigorosa, responde às necessidades de informação credível, tantas vezes dispersa e de acesso nem sempre simples, por parte de um público o mais amplo possível, independentemente das suas competências em lidar com estatísticas, da idade, da profissão, da escolaridade, da ideologia, do credo, etc..".

A demógrafa foi até agora a única diretora desta base de dados que, adianta, contou com mais de 1 milhão de utilizadores no ano passado

A demógrafa foi até agora a única diretora desta base de dados que, adianta, contou com mais de 1 milhão de utilizadores no ano passado. Em Janeiro e Fevereiro de 2019, o número de utilizadores foi 30% superior ao registado no período homólogo do ano anterior. "O resultado deste incrível esforço não podia ter sido melhor. A começar pelos públicos que envolvemos e confiaram neste projeto: estudantes e professores, jornalistas, cientistas e investigadores, decisores políticos, comentadores e analistas, empresários e tantos outros cidadãos".

Ao fim destes dez anos, Maria João Valente Rosa afirma sentir-se orgulhosa e agradece "a todos os que, das mais variadas formas, ajudaram a erguer este projeto de verdadeiro serviço público, que faz chegar cada vez mais longe os factos e a capacidade de os compreender, fatores essenciais de, em nome da liberdade, alcançarmos uma sociedade mais justa e mais forte".

A FFMS informou que foi a demógrafa que pediu para sair da Pordata e que já foi lançado o processo para escolher nova direção, não se comprometendo com uma data

Sem nunca adiantar razões para a sua saída, a professora universitária da Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas) conclui o mail de despedida garantindo que a sua missão continuará a ser Contribuir para a melhor compreensão da sociedade portuguesa, de forma livre e sustentada. O DN tentou contactar Maria João Valente Rosa para obter mais esclarecimentos sobre a sua saída, mas até agora não foi possível. A FFMS informou que foi a demógrafa que pediu para sair da Pordata e que já foi lançado o processo para escolher nova direção, não se comprometendo com uma data.

Maria João Valente Rosa nasceu em Lisboa a 27 de maio de 1961. Licenciou-se em Sociologia na Universidade Nova de Lisboa, onde fez o mestrado e doutoramento e era diretora da Pordata desde 2009, quando a base de dados foi lançada. Faz parte, enquanto cientista, do Conselho Superior de Estatística e do Conselho Executivo do Comité Consultivo Europeu da Estatística e é professora auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova.

A Pordata, Base de Dados de Portugal Contemporâneo, é organizada e desenvolvida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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