Bebé de quatro meses é a primeira criança a morrer com covid-19 em Portugal
Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais duas pessoas na região de Lisboa e Vale do Tejo por causa da covid-19: um homem com mais de 80 anos e uma bebé com 4 meses. Esta é a primeira morte de uma criança por causa do novo coronavírus em Portugal. Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, a bebé "tinha outras patologias associadas" e encontrava-se internada no Hospital D. Estefânia.
"Esta criança nasceu com uma cardiopatia congénita muito grave" e morreu com uma septicemia por causa de ter contraído uma infeção pelo novo coronavírus, continuou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa.
A criança terá sido infetada através do contacto de um familiar.
No último dia, foram ainda confirmados mais 253 casos de infeção pelo novo coronavírus. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (19 de agosto), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 54 701 infetados, 40 129 recuperados (mais 193) e 1786 vítimas mortais no país.
Há, neste momento, 12 786 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. Mais 58 do que ontem.
159 dos 253 novos casos (63%) localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os restantes infetados das últimas 24 horas estão distribuídos pelo Norte (mais 65 confirmações), pelo Centro (mais 17), pelo Alentejo (mais sete), pelo Algarve (mais quatro) e pela Madeira (mais um).
Nesta quarta-feira, estão internados 329 doentes (menos sete do que no dia anterior) e nos cuidados intensivos há agora 35 pessoas (menos três do que na véspera).
Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde atualizou o número de surtos ativos no país: 152.
A maior parte continua a localizar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que tem agora 74 cadeias de transmissão da doença ativas, "ainda assim um número que tem vindo a ser diminuído", comenta Marta Temido.
Segue-se o Norte, com 44 surtos, e "onde a situação mais preocupante se mantém concentrada no agrupamento de centros de saúde da Póvoa de Varzim e Vila do Conde", de acordo com a responsável pela pasta da Saúde.
No Alentejo, existem agora 15 surtos, no Algarve 13 e no Centro seis.
"Neste momento, nós temos uma evolução positiva daquilo que são os casos detetados de covid-19 [em lares]", apontou Marta Temido, nesta quarta-feira, apesar de a preocupação com os casos em estruturas residenciais se manter.
"Foi determinado no final do mês de junho que estas instituições iriam manter-se em vigilância", acrescentou a ministra da Saúde, e que têm vindo a realizar-se as visitas das autoridades de saúde para "antecipar problemas", tal como foi decretado.
"Até ao final do mês estão previstas visitas a quase mil lares - de um universo de 2600 de que o ministério tem conhecimento - e já se realizaram 500 visitas", concretizou.
Há, neste momento, 69 estruturas residenciais para idosos com casos positivos de covid-19 e um total de 563 utentes infetados.
Hoje há também registo de um doente infetado numa estrutura da rede nacional de cuidados continuados integrados.
Foi um dos maiores surtos de covid-19 em lares, que provocou 162 casos de infeção e a morte a 18 pessoas - 16 utentes, uma funcionária de 42 anos e um homem da comunidade. O lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, tem estado no centro das atenções e já motivou várias críticas ao governo, que levaram Costa a defender a ministra da Segurança Social Ana Mendes Godinho.
Relatos compilados pela Ordem dos Médicos, a que o DN teve acesso, sugerem que "vários doentes estiveram alguns dias sem fazer a terapêutica habitual por não haver ninguém que a preparasse ou administrasse".
Ou seja, "ficaram por administrar fármacos tão importantes como a varfarina" (fármaco do grupo dos anticoagulantes usado para evitar tromboses), "por se desconhecerem as prescrições (ausência de processos clínicos organizados e atualizados), ou insulina por falta de canetas".
Agora, o Ministério da Saúde assume que vai investigar a gestão do surto no lar de Reguengos de Monsaraz no âmbito das suas competências para aferir se há lugar a procedimentos disciplinares, à margem de "outros inquéritos" que estão a decorrer, como o do Ministério Público.
O novo coronavírus já infetou mais de 23,3 milhões de pessoas no mundo inteiro até esta quarta-feira e provocou 784 754 mortes, segundo dados oficiais. Há agora 15 milhões de recuperados.
No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (5 656 204) e de mortes (175 087). Em termos de número de infetados acumulados no mundo, seguem-se o Brasil (3 411 872), a Índia (2 768 670) e a Rússia (937 321). Portugal surge em 47.º lugar nesta tabela.
Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (110 019). Depois, o México (57 774) e a Índia (53 026).

