Bebé de quatro meses é a primeira criança a morrer com covid-19 em Portugal

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde de hoje revela duas vítimas mortais e mais 253 casos. O documento informa ainda que estão hospitalizados 329 doentes (menos sete pessoas do que ontem), 35 nos cuidados intensivos (menos três).

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais duas pessoas na região de Lisboa e Vale do Tejo por causa da covid-19: um homem com mais de 80 anos e uma bebé com 4 meses. Esta é a primeira morte de uma criança por causa do novo coronavírus em Portugal. Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, a bebé "tinha outras patologias associadas" e encontrava-se internada no Hospital D. Estefânia.

"Esta criança nasceu com uma cardiopatia congénita muito grave" e morreu com uma septicemia por causa de ter contraído uma infeção pelo novo coronavírus, continuou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa.

A criança terá sido infetada através do contacto de um familiar.

No último dia, foram ainda confirmados mais 253 casos de infeção pelo novo coronavírus. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (19 de agosto), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 54 701 infetados, 40 129 recuperados (mais 193) e 1786 vítimas mortais no país.

Há, neste momento, 12 786 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. Mais 58 do que ontem.

159 dos 253 novos casos (63%) localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os restantes infetados das últimas 24 horas estão distribuídos pelo Norte (mais 65 confirmações), pelo Centro (mais 17), pelo Alentejo (mais sete), pelo Algarve (mais quatro) e pela Madeira (mais um).

Nesta quarta-feira, estão internados 329 doentes (menos sete do que no dia anterior) e nos cuidados intensivos há agora 35 pessoas (menos três do que na véspera).

Portugal tem 152 surtos ativos

Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde atualizou o número de surtos ativos no país: 152.

A maior parte continua a localizar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que tem agora 74 cadeias de transmissão da doença ativas, "ainda assim um número que tem vindo a ser diminuído", comenta Marta Temido.

Segue-se o Norte, com 44 surtos, e "onde a situação mais preocupante se mantém concentrada no agrupamento de centros de saúde da Póvoa de Varzim e Vila do Conde", de acordo com a responsável pela pasta da Saúde.

No Alentejo, existem agora 15 surtos, no Algarve 13 e no Centro seis.

Ministra destaca "evolução positiva" nos lares

"Neste momento, nós temos uma evolução positiva daquilo que são os casos detetados de covid-19 [em lares]", apontou Marta Temido, nesta quarta-feira, apesar de a preocupação com os casos em estruturas residenciais se manter.

"Foi determinado no final do mês de junho que estas instituições iriam manter-se em vigilância", acrescentou a ministra da Saúde, e que têm vindo a realizar-se as visitas das autoridades de saúde para "antecipar problemas", tal como foi decretado.

"Até ao final do mês estão previstas visitas a quase mil lares - de um universo de 2600 de que o ministério tem conhecimento - e já se realizaram 500 visitas", concretizou.

Há, neste momento, 69 estruturas residenciais para idosos com casos positivos de covid-19 e um total de 563 utentes infetados.

Hoje há também registo de um doente infetado numa estrutura da rede nacional de cuidados continuados integrados.

Reguengos. Ministério da Saúde vai apurar se há matéria para procedimentos disciplinares

Foi um dos maiores surtos de covid-19 em lares, que provocou 162 casos de infeção e a morte a 18 pessoas - 16 utentes, uma funcionária de 42 anos e um homem da comunidade. O lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, tem estado no centro das atenções e já motivou várias críticas ao governo, que levaram Costa a defender a ministra da Segurança Social Ana Mendes Godinho.

Relatos compilados pela Ordem dos Médicos, a que o DN teve acesso, sugerem que "vários doentes estiveram alguns dias sem fazer a terapêutica habitual por não haver ninguém que a preparasse ou administrasse".

Ou seja, "ficaram por administrar fármacos tão importantes como a varfarina" (fármaco do grupo dos anticoagulantes usado para evitar tromboses), "por se desconhecerem as prescrições (ausência de processos clínicos organizados e atualizados), ou insulina por falta de canetas".

Agora, o Ministério da Saúde assume que vai investigar a gestão do surto no lar de Reguengos de Monsaraz no âmbito das suas competências para aferir se há lugar a procedimentos disciplinares, à margem de "outros inquéritos" que estão a decorrer, como o do Ministério Público.

22,3 milhões de casos em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 23,3 milhões de pessoas no mundo inteiro até esta quarta-feira e provocou 784 754 mortes, segundo dados oficiais. Há agora 15 milhões de recuperados.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (5 656 204) e de mortes (175 087). Em termos de número de infetados acumulados no mundo, seguem-se o Brasil (3 411 872), a Índia (2 768 670) e a Rússia (937 321). Portugal surge em 47.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (110 019). Depois, o México (57 774) e a Índia (53 026).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG