Lar de Reguengos: doentes não tomaram durante dias medicamento que evita tromboses nem insulina

O DN teve acesso ao relatório realizado pela Comissão de Inquérito da Ordem dos Médicos que foi enviado ao Ministério Público e aos ministérios da Saúde e da Segurança Social. Neste é relatado passo a passo toda a cronologia desde o dia 17 de junho, quando foi diagnosticado o primeiro caso. Leia aqui tudo o que diz o documento.

São cinco os médicos representantes da Ordem dos Médicos, e várias sub-regiões, como Lisboa, Évora, Beja e Portalegre, que se deslocaram a Reguengos de Monsaraz no dia 16 de julho para investigar o que se terá passado no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS). Foi um dos maiores surtos de covid-19 em lares, que provocou 162 casos de infeção e a morte a 18 pessoas - 16 utentes, 1 funcionária de 42 anos e um homem da comunidade.

Na altura, e segundo relata a ordem, não foram recebidos nem nunca conseguiram falar com a diretora técnica da instituição que esteve ausente durante o processo de infeção. Segundo explica o relatório (que já motivou várias críticas ao governo e levou Costa a defender a ministra Ana Mendes Godinho), a diretora "estava em isolamento", tendo os médicos sido recebidos pela técnica que a substituía.

Mas os relatos prestados permitiram perceber que do "ponto de vista clínico há relatos muito críticos". De acordo com o documento, a que o DN teve acesso, "vários doentes estiveram alguns dias sem fazer a terapêutica habitual por não haver ninguém que a preparasse ou administrasse".

Ou seja, "ficaram por administrar fármacos tão importantes como a varfarina" (fármaco do grupo dos anticoagulantes usado para evitar tromboses), "por se desconhecerem as prescrições (ausência de processos clínicos organizados e atualizados), ou insulina por falta de canetas".

De acordo com a Ordem, as equipas médicas que lá chegaram para trabalhar "tentaram rever a terapêutica e promover ajustes, principalmente através da suspensão de alguns fármacos, como hipotensores e diuréticos, que se mantinham apesar do ​​​​​​​estado de desidratação dos doentes." No entanto, refere a Ordem, aos médicos foi-lhes dito "não ser possível os ajustes terapêuticos, uma vez que a medicação era toda preparada para vários dias e que não estando os comprimidos identificados, não era possível retirar um comprimido: ou se deitava tudo fora e, basicamente, não faziam medicação ou faziam tudo o que estava na prescrição habitual".

À Ordem, os clínicos relataram ainda terem observado "funcionários sem formação de enfermagem a administrar terapêutica aos utentes". E que na instituição não havia disponibilidade de fármacos de emergência, capacidade de suporte avançado de vida ou cardioversão elétrica". E que "a possibilidade de administração de oxigenoterapia era limitada".

Delegado de saúde não visitou lar por pertencer a grupo de risco

A Ordem apurou que a Autoridade de Saúde Pública local não realizou visita ao lar (edifício original). No texto, refere que o próprio delegado de saúde assumiu que não foi ao lar, tendo delegado essa função em outra pessoa.

"O Dr. Augusto Santana Brito, delegado de saúde coordenador, justifica o facto por pertencer ele próprio a um grupo de risco (> 70 anos)". Nesse sentido, dizem, "resolveu 'delegar' esta sua função na Sra. Enf. Isabel Marques, membro do PPCIRA do HESE, que procedeu à visita no dia 23 de junho", quando, e de acordo com a cronologia dos acontecimentos feita pela ordem, o primeiro caso foi identificado a 17 de junho, a 18 foram feitos testes a utentes e a funcionários, já com sintomas, e a 19 já havia mais resultados positivos.

"Também foi apenas neste dia que ficou assegurada a visita da Segurança Social. O Dr. Augusto Santana Brito afirma, igualmente, que informou a direção clínica do ACES (teria ficado decidido, em reunião com o presidente da ARS Alentejo que seria o diretor clínico do ACES a assumir a responsabilidade pela instituição) sobre as más condições do lar e a impossibilidade de manterem um controlo da infeção naquelas condições".

É ainda explicado que "passada a primeira semana, com mais de 70 pessoas testadas positivamente para a covid-19, a Autoridade de Saúde Pública muda de estratégia e resolve fazer testes de rastreio semanais de modo a controlar as cadeias de infeção na restante comunidade. O Dr. Augusto Santana Brito delega no Dr. Manuel Galego (especialista em Medicina do Trabalho) a função de avaliação diária da situação do ponto de vista de controlo epidemiológico/condições de trabalho para a estratégia delineada contra o surto".

Por outro lado, "os médicos de Medicina Geral e Familiar referem não ter tido qualquer contacto ou transmissão de informação por parte do Dr. Manuel Galego. Importa indicar que a Autoridade de Saúde Pública chegou a estar envolvida no controlo simultâneo de dez focos de surto covid-19 em Reguengos de Monsaraz", lê-se no relatório.

Só no dia 26 são desenhados os circuitos diferenciados

No capítulo sobre os primeiros procedimentos após a identificação dos primeiros casos, a Ordem relata: "As Forças Armadas, via Proteção Civil, fizeram a primeira visita ao lar no dia 21 de junho. No entanto, só no dia 26, após uma reunião presencial no lar da FMIVPS, com a presença do diretor clínico e do diretor executivo do ACES, bem como do representante das Forças Armadas e um médico do Hospital do Espírito Santo, em Évora, ESE é que são desenhados os circuitos dos doentes para separação dos circuitos "limpos" e "sujos"".

Nessa altura, "todos os doentes infetados são então alojados no 1.º andar do edifício, para o r/c constituir zona limpa para as equipas de saúde, aumentando a impossibilidade de garantir as distâncias intercamas preconizada pela norma da Direção-Geral da Saúde (DGS)".

No dia 2 julho, "finalmente é tomada a decisão de transferir os utentes infetados para o pavilhão multiusos, que existe no Parque de Feiras do Município. Segundo o sr. presidente da câmara, Dr. José Calixto, os trabalhos de preparação do pavilhão multiusos para receber os doentes vindos do lar da FMIVPS começaram logo nesse dia". Ainda segundo o autarca, "a transferência dos doentes deve-se ao facto de haver melhores condições no pavilhão para cuidar destes doentes, promovendo uma melhor qualidade de vida aos idosos".

Quem decidiu e o quê no processo de Reguengos

A autoridade local das Forças Armadas referiu à Ordem dos Médicos que "os doentes foram transferidos para o pavilhão para promoção da desinfeção do lar". Segundo a ordem, "nenhum dos inquiridos tem evidência sobre o comando desta decisão, mas o sr. presidente da câmara referiu que a transferência foi decidida "no momento adequado" pela Autoridade de Saúde Pública e aprovada nesse mesmo dia pela Comissão Municipal da Proteção Civil".

"Segundo o autarca, este pavilhão estava definido como instalação de retaguarda no plano de evacuação do Alentejo Central, mas não estava equipado para receber idosos nesta situação", afirmando que "não estamos perante um hospital de campanha mas sim de instalações de retaguarda."

A Autoridade de Saude Publica chamou-lhe um "Alojamento Sanitario". Ate este dia, duas semanas depois do primeiro diagnostico de infecao COVID-19 em Reguengos de Monsaraz por surto no Lar da FMIVPS, estavam contabilizados 8 mortos (sete utentes e uma funcionaria do Lar) e 138 casos ativos.

A Ordem reconhece que "a transferência dos utentes infetados com covid-19 para o pavilhão multiusos do Parque de Feiras do Município trouxe, do ponto de vista clínico, algumas melhorias, nomeadamente a possibilidade de espacar as camas, climatizar o ambiente e proceder a circulação adequada do ar".

De acordo com informações fornecidas à Ordem pela nova diretora Técnica do Lar da FMIVPS, Sara Luís, o lar tinha "um Plano de Ação de Contingência face ao Equipamento de Retaguarda Municipal que foi executado pela especialista em ESMP. Este documento, assim como a respetiva adequação e melhorias, teve os contributos da ARS, ACES, Saúde Pública, Proteção Civil, Direção Técnica e Conselho de Administração da Fundação".

O documento, que foi enviado à Ordem só posteriormente e por e-mail, referia: "O desenho dos circuitos considerados "limpos" e "sujos", bem como os fluxogramas dos vários pontos críticos detetados foram equacionados, colocados em prática e reequacionados, não só pela administração da fundação, mas num trabalho transdisciplinar que envolveu representantes das várias áreas de trabalho (Saúde Publica, ARS, ACES, Proteção Civil)".

O mesmo plano refere: "Adicionalmente, os colaboradores da ERPI foram auscultados e envolvidos no processo, com o propósito de existir uma boa adesão às práticas exigidas; a equipa da fundação e a equipa de enfermagem terão sempre pugnado para que um elemento desta última acompanhasse o fardamento e desfardamento de equipamentos de proteção individual dos vários elementos, para que pudesse existir o máximo de segurança possível e, ainda, mação in loco". No entanto, a ordem sublinha no seu relatório, que "estas medidas não se verificavam numa fase inicial de acordo com os relatos dos médicos ouvidos".

FMIVPS diz que equipas de limpeza tinham formação

No documento, que foi enviado a administração refere que "as equipas de limpeza foram reforçadas através de contratação via Such", que os "profissionais tinham experiência em ambiente covid" e que "estes elementos terão usufruído de formação com a enfermeira", que ali deu apoio, "do serviço de infecciologia".

Por outro lado, garante que "o tratamento de resíduos foi afeto a uma empresa, Ambimed, em articulação com o município, cumprindo-se escrupulosamente as diretivas da empresa".


Mais. "O reforço da equipa de auxiliares de geriatria foi realizada por contratação via Programa MAREE - Medida de Apoio ao Reforco de Emergência de Equipamentos/IEFP, Talenter, Prisma Saúde, Such e Cruz Vermelha, valorizando-se a experiência em ambiente hospitalar ou espaço covid".

E parte destes elementos terão "tido uma formação teórica, a restante aguardava formação com UCC de Centro de Saúde de Reguengos de Monsaraz". No documento a administração do lar, "realça a colaboração das Forças Armadas Portuguesas através de equipas médicas, enfermagem, socorristas e outros elementos, nomeadamente uma equipa militar especializada em descontaminação e desinfeção".

A FMIVPS salienta a participação de "outros voluntários do Projeto ComVidas, que participaram nos cuidados dos doentes no lar. A maioria já tinha experiência em espaço covid e tiveram acompanhamento de um enfermeiro afeto ao projeto que os apoiava e formava"; que "a gestão dos stocks de EPIs, de medicação e de outras necessidades tem sido articulada entre os diversos parceiros e intervenientes, para se acautelar a proteção de todos os envolvidos" e que para prevenir "a rutura de stock; para a gestão de farmácia foi disponibilizado um fluxograma de articulação entre várias equipas".

Relato dos médicos sobre a situação é diferente

No relatório a Ordem descreve a realidade observada e relatada pelos médicos das várias unidades de saúde do Alentejo que ali chegaram para apoiar o tratamento dos utentes, referindo que estes focavam: "A ausência de chefias e hierarquias ao nível das equipas médicas e de enfermagem. Não há diretor clínico nem enfermeiro-chefe. As equipas auto organizam-se e passam os turnos entre si. Durante o dia, um dos enfermeiros fica nomeado como "enfermeiro responsável".

"Os processos individuais de cada utente estão muito incompletos - existe apenas a lista de problemas ativos retirada do SClinic e uma folha de terapêutica sem data, vinda do lar, que se verificou estar desatualizada em muitos casos. Não há qualquer registo clínico anterior ao surto".

E que os "processos" estão agrupados em três dossiers, organizados por ordem alfabética e divididos por separadores de cartão. Os registos clínicos são feitos num ficheiro do Google Drive desde o dia 6 de julho - antes desta data existem algumas folhas A4 simples e manuscritas, com parâmetros vitais e um ou outro dado relevante, que estão colocadas nos dossiers referidos anteriormente. Mesmo nestas folhas os registos mais "antigos" reportam a 27 de junho, não tendo encontrado qualquer informação pregressa".

Quanto à equipa médica, os profissionais relatam que "é constituída por um médico de MGF, que cumpre o horário das 8.00 às 20.00, e por um médico das Forças Armadas (nefrologista, ginecologista, ortopedista, neurologista...) que cumpre o horário das 10:00 as 10:00 do dia seguinte (24h ao total)".

"Durante o dia é o médico do ACES AC que fica responsável por todos os cuidados dos cerca de 60 utentes, todos com infeção covid-19 (nem sempre, os médicos militares entram na "enfermaria covid" logo de manhã)".

Sobre a equipa de enfermagem, dizem que "é constituída por 4 a 6 enfermeiros do ACES Alentejo Central, que cumprem horário entre as 8:00 e as 20:00, e por 2 enfermeiros das Forças Armadas que cumprem o horário das 10:00 às 10:00 do dia seguinte (24h ao total). Entre as 20:00 e as 8:00 da manhã seguinte".

Desidratação, infeções urinárias, descontrolo glicémico

A situação clínica que os profissionais encontraram, os médicos disseram à Ordem que "a grande maioria dos idosos tem diversas patologias crónicas e várias agudizações recentes: múltiplos casos de desidratação, hipotensão, infeções urinárias, descontrolo glicémico; que desde que os doentes foram transferidos para o pavilhão, não houve apoio presencial de médico hospitalar (Medicina Interna), mantendo-se contacto telefónico quando é necessário transferir algum doente".

Verificaram ainda "a ausência de protocolos de evacuação e transferência de doentes para o HESE: quando necessário e feito telefonema para os bombeiros / INEM aguardando-se a sua chegada para transferir o doente".

Mesmo depois das medidas tomadas nem tudo estava bem

Mais. À ordem os profissionais relataram que, mesmo depois de os doentes terem sido transferidos para o pavilhão, verificaram lacunas, como "ausência de protocolo estabelecido para as necessidades de avaliação analítica", que "os circuitos de limpos e sujos estão mal definidos, no que respeita à saída dos profissionais e voluntários de dentro da 'enfermaria' e que todos os elementos da equipa cuidadora circulam livremente por todos os espaços: farmácia, armazém de produtos diversos, zona de colocação de equipamentos individuais de proteção (EPI), zona de trabalho".

Ao mesmo tempo, alertaram para o facto de "haver pouco controlo na utilização dos EPIs; dificuldade em controlar a atuação dos voluntários, incluindo a entrada e saída dos mesmos da 'enfermaria'", e que estes "possuem muito pouco conhecimento no que toca ao controlo de infeção, em particular no que diz respeito a vestir e despir EPI"s".

"Os pedidos de medicação (novos medicamentos ou alteração de terapêuticas em curso) eram feitos diretamente à farmácia comunitária, por telefone ou e-mail"; que havia "múltiplas falhas na gestão e administração da medicação aos utentes" e que não estavam disponíveis fármacos de reanimação, desfibrilhador ou sistema de aspiração de secreção/vómito".

Nesta fase, os profissionais dizem que já havia alguns utentes que recusavam a alimentação e vários que mostravam sinais de depressão.

O que viu a Ordem no pavilhão

A Ordem dos Médicos visitou o pavilhão para onde os utentes foram transferidos e no relatório salienta o que viu, lamentando que esta não tivesse sido acompanhada por "nenhum elemento da organização, por nenhum profissional de saúde com responsabilidade clínica pela instituição, ou pela estrutura das Forcas Armadas presentes no local. Também, não foi delegada tal função em nenhum funcionário ou voluntário presente".

"à entrada, destaca-se um local com devidas condições para fardamento e colocação de EPIs, bem como posterior remoção e higienização de todos os profissionais, com presença de balneários e locais para guardar os bens pessoais".

Na zona de equipamento, ressalva "a presenca de um responsável pela verificação da correta colocação dos EPIs, validando a possível entrada na zona vermelha. Contudo, esta verificação era efetuada por um voluntário sem formação adequada ou diferenciaão na área da saúde".

Nesta mesma zona, foi detetada "temperatura do ar muito elevada, apesar de não quantificada. Não verificação de extração de ar ou climatização adequada; ausência de proteção da passagem da zona verde para amarela e desta para a vermelha: ausência de entrada na zona amarela/vermelha e efetuada apenas com recurso a uma proteção plástica, não existindo qualquer selagem entre cada uma das zonas; instalações em pré-fabricados, com separação de utentes por divisões, tendo cada divisão espaço para seis camas. Não existem portas ou teto, os utentes estavam em modelo de open space".

A ordem assinala o facto de não haver uma zona identificada para o armazenamento de fármacos e com separação para cada utente". Assinala também que "a ausência de profissionais de saúde na área técnica onde se encontra a medicação", não havendo controlo desta sala, sendo a entrada possível a qualquer elemento presente na zona vermelha; reduzida quantidade de cadeiras ou cadeirões para levante dos utentes; existência de instalações sanitárias separadas em 2 zonas e por género e existência de apenas uma zona para banhos, e com dimensões reduzidas".

Transferência de todos os utentes para hospital não foi aceite

Perante estes factos a Ordem dos Médicos entende não poder dizer que se estava "perante um hospital de campanha". E que a hipótese avançada pelo presidente da câmara, de transferir todos os utentes para o HESE, não foi considerada viável. A decisão parece ter sido fundamentada numa "estratégia poupadora de recursos hospitalares, de modo a salvaguardar a capacidade de resposta do hospital a outros surtos que pudessem vir a ocorrer. Não se conseguiu apurar se há uma decisão escrita do Conselho de Administração do HESE, nomeadamente da Direção Clínica, que suporte esta estratégia".

Ordem atribui responsabilidades ao lar e autoridades de saúde

Tendo em conta que Portugal não estava em Estado de Emergência no momento em que foi diagnosticado o surto de infeção covid-19 no lar da FMIVPS, "olhando para a estratégia utilizada pelas autoridades reguladoras do processo cremos que se aplica o Despacho 4097-B2020 de 2 de abril, pelo que se configuram falhas no fluxograma de atuação perante um equipamento social de cariz residencial com um funcionamento comprometido. Nomeadamente, define-se que numa situação de necessidade de isolamento de utentes com teste positivo, mesmo que assintomáticos, compete à autoridade de saúde estabelecer se a instituição tem condições no edifício para esse isolamento e à instituição avaliar se tem disponíveis os recursos humanos necessários para o normal funcionamento da mesma".

Neste caso, "nem um nem o outro pressuposto estavam assegurados, competia à Comissão Municipal de Proteção Civil a responsabilidade de, articulando com a Segurança Social e o Município, definir uma solução para o problema.

A decisão foi tomada com atraso significativo, e com repercussões graves na morbilidade e mortalidade dos doentes".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG